Visão do Correio

É preciso fé na juventude

Em Brasília, na última quinta-feira, as cenas de filas formadas por jovens de 20 a 24 anos em festa, comemorando porque chegou a vez de eles tomarem vacina anticovid-19, são um retrato da esperança de o Brasil, enfim, deixar o negacionismo

Correio Braziliense
postado em 15/08/2021 06:00
 (crédito: Cinara Marcela Viana)
(crédito: Cinara Marcela Viana)

Será que as moças e os moços, enfim, criaram juízo? Aqueles que costumam lotar baladas clandestinas e depois espalham coronavírus aos quatro ventos? Pelo menos parte deles parece que sim. Em Brasília, na última quinta-feira, as cenas de filas formadas por jovens de 20 a 24 anos em festa, comemorando porque chegou a vez de eles tomarem vacina anticovid-19, são um retrato da esperança de o Brasil, enfim, deixar o negacionismo de lado e vencer a pandemia. A euforia da juventude, que pode servir de exemplo para todo o país, tem explicação: no Distrito Federal, a mortalidade entre pessoas que já tomaram ao menos uma dose ou dose única de antígeno contra a doença é de 0,07%, segundo a Secretaria de Saúde.

Note-se que essa disposição em se vacinar começou a bater seguidos recordes diários de aplicações de doses na capital da República desde que o governo local começou a fazer mutirões, com uma centena de pontos de imunização espalhados por todo o DF, para vacinar a população mais jovem, abaixo da faixa de 40 anos de idade, sem necessidade de agendamento prévio. No entanto, essa empolgação em imunizar-se não pode vir acompanhada do desleixo com as medidas sanitárias. Neste momento, mesmo entre aqueles com a vacinação completa, a ciência nos mostra que continua imprescindível, sobretudo, o uso de máscara. O alerta vem dos Estados Unidos e atende pelo temido nome de variante Delta.

Nos EUA, estudos mostram que a mutação descoberta na Índia é altamente contagiosa, disseminou-se rapidamente mundo afora e transformou-se na principal causa de novas infecções no planeta. Na terra do presidente Joe Biden, mesmo com cerca de 70% dos adultos vacinados com ao menos uma dose e mais de 50% da população totalmente imunizada contra a covid-19, pesquisadores descobriram que a Delta infecta, igualmente, imunizados e quem não recebeu o antígeno. Em ambos os grupos, os cientistas identificaram alta carga viral e constataram, ainda, que a transmissão do patógeno é idêntica entre eles. Mas a vacina faz uma imensa diferença: mais de 99% das mortes e dos casos que evoluem para estágios graves da doença ocorrem entre os não vacinados.

No Brasil, desde que a vacinação começou a avançar, o país registra queda na média móvel de mortes, casos e ocupações de leitos em unidades de terapia intensiva. Mesmo assim, ressalvam especialistas, esses indicadores ainda se encontram em patamares elevados. Além disso, no país, também começam a aparecer sinais de alerta. A prefeitura da capital fluminense, por exemplo, divulgou boletim epidemiológico, na sexta-feira, declarando a cidade do Rio de Janeiro o epicentro da variante Delta. E cobrou mais vacinas para o município, onde houve alta de 10% nas internações por covid-19. “Graças a Deus, não está virando óbito, muito em razão da cobertura vacinal e da ação terapêutica da Secretaria de Saúde”, disse o prefeito Eduardo Paes.

Até agora, mais de 70% dos brasileiros adultos foram imunizados com ao menos uma dose (ou inoculação única) de antígeno contra a doença. Mas a imunização completa, com duas doses ou dose única, ainda patina pouco acima de 20% da população total. Com o surgimento da Delta, estudos mostram que o país precisa acelerar a vacinação. Pesquisa divulgada pela revista New England Journal of Medicine reforça a importância da segunda dose das vacinas Pfizer e Astrazeneca, ao indicar que a imunização parcial fica comprometida diante da nova mutação. No caso da Delta, a eficáçia dos dois imunizantes cai de 50% para 35%. Mais do que nunca, só a vacina salva. A juventude parece ter captado a mensagem.

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