OPINIÃO

O Brasil da fome

Cida Barbosa
postado em 18/11/2021 06:00
 (crédito: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(crédito: Caio Gomez/CB/D.A Press)

O Brasil onde se faz farra com dinheiro público é o mesmo em que se alega falta de recursos para socorrer os mais necessitados. Como pode, num país rico como o nosso, a fome voltar de forma tão avassaladora? Em dezembro de 2020, eram 19,1 milhões de famintos — inclusive crianças —, conforme dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. Essa quantidade, com certeza, deu um salto este ano, já que há quase 14 milhões de desempregados, e a inflação está nas alturas.

A BBC News mostrou, numa reportagem publicada ontem, o caso de uma aluna, de 8 anos, que desmaiou numa escola municipal do Rio de Janeiro. Assim que ela chegou à sala, a professora já notou que algo estava errado. Perguntou se a menina se sentia bem. Ela respondeu que sim, mas, como não parecia, a educadora questionou se a garotinha tinha comido naquele dia. A resposta foi não. Antes de a professora pegar algo na própria mochila para alimentá-la, a menina desmaiou. "É uma fome que a criança não sabe expressar a urgência. E que envolve, muitas vezes, a vergonha. Para ela, é algo humilhante, por isso, não consegue expressar", lamentou a professora. Na cidade de Sumaré (SP), uma situação semelhante, de um aluno que desmaiou na aula de educação física. Na conversa com ele, professores descobriram que não tinha tomado café da manhã nem almoçado — e já era o período da tarde. Crianças passando fome a ponto de perderem os sentidos. É a barbárie no Brasil!

Uma pesquisa feita pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, divulgada pela Globonews, apontou que somente uma em cada quatro crianças atendidas nos serviços de Atenção Básica faz, no mínimo, as três principais refeições do dia. Ou seja, de janeiro a outubro deste ano, apenas 26% de meninas e meninos, com idade entre 2 e 9 anos, atendidos pelo SUS, realizam essas três refeições principais. Somente 26% deles!

Enquanto isso, autoridades eleitas, com suas barrigas cheias, brigam para ver quem abocanha mais verbas públicas — cujos destinos são nebulosos — na esteira de propostas supostamente elaboradas para socorro a população que jaz na miséria. Que vergonha que dá deste país.

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