Fantasia

Os sinais de Mirabel

Encanto é sobre escolhas e exclusões, sobre expectativa familiar e sobre como pessoas diferentes, que não seguem um padrão, podem ser segregadas dentro de casa

Ana Dubeux
postado em 28/11/2021 06:00
 (crédito: JADE GAO)
(crédito: JADE GAO)

Poucas coisas hoje conseguem me transportar para um universo de fantasia, às vezes tão necessário para deixar a realidade mais aprazível. Depois de dois anos, fui ao cinema, um dos hábitos mais importantes da minha vida, interrompido pela pandemia.

Fui com minha filha, Helena, que me arrancou da redação num dia puxado e que se estenderia noite adentro, e me convidou para um almoço seguido de cinema. Meu genro, Arthur, e minha neta, Liz, foram junto. Amei. Ou melhor: amamos.

Não apenas pelo passeio, mas pelo enredo. Escolhemos Encanto, animação da Disney, que, pela primeira vez, retrata uma família "imperfeita". É a história da família Madrigal, moradores de uma vila protegida por montanhas na Colômbia, um espaço mágico que foi dado a eles após grande sacrifício de um antepassado. Todos da família, que vivem em uma casa mágica, possuem habilidades especiais, menos a protagonista Mirabel.

Nessa quebra de rotina, num dia improvável, que resgatou em mim o mundo mágico das telas desde os meus tempos de adolescente no Cine São Luiz, em Recife, eu consegui me emocionar.

Encanto é sobre escolhas e exclusões, sobre expectativa familiar e sobre como pessoas diferentes, que não seguem um padrão, podem ser segregadas dentro de casa. E como, na maioria das vezes, essas pessoas percebem de longe a verdade da família, seus defeitos e riscos.

Talvez tenha gostado tanto também por entender que é uma metáfora dos nossos dias, em que alguns julgam ter superpoderes e acham que constroem, em suas casas ou em seus trabalhos, refúgios e ambientes perfeitos, sem perceber as nuances de diversidade, os talentos distintos, as características que fazem (ou deveriam fazer) de todos nós humanos. Assistam! Será um bom programa para este domingo.

 

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