OPINIÃO

Iniciativa contra o câncer de pele

A cada ano, no Brasil, são registrados cerca de 185 mil novos casos de câncer de pele. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), esse tipo de tumor responde por 33% de todos os diagnósticos da doença no Brasil. Para alertar a população e conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realiza desde 2014 a campanha Dezembro Laranja, iniciativa que faz parte da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de pele. Todos os anos, neste mês, são realizadas diversas ações em parceria com instituições públicas e privadas.

Este ano, a proposta da campanha é "Neste verão, vamos conjugar prevenção ao coronavírus com cuidados para reduzir as chances de casos de câncer de pele?". A SBD alerta que o momento pede, além do uso do álcool gel, máscara e distanciamento, práticas de fotoproteção. Isso porque, com o avanço da vacinação contra a covid-19, com mais de 63% da população brasileira imunizada com as duas doses ou dose única, as pessoas devem aproveitar o fim de ano e as férias de janeiro em praias, piscinas e outros espaços abertos.

"Adicione mais fator de proteção ao seu verão." Essa é a mensagem central da campanha do Dezembro Laranja 2021, presente em uma série de conteúdos desenvolvidos pela SBD especialmente para a ação. O alerta neste mês de dezembro é fundamental. Apesar de o Brasil ter sol praticamente o ano inteiro, no verão as pessoas se expõem mais e, muitas vezes, sem o uso de protetor solar. O câncer de pele é o mais frequente no Brasil e no mundo, sendo mais comum em pessoas acima de 40 anos. É causado, principalmente, pela exposição excessiva ao sol.

O tipo mais comum no Brasil, o câncer de pele não melanoma, tem baixa taxa de mortalidade, mas apresenta números elevados de pessoas com a doença. Tanto os carcinomas basocelulares quanto os espinocelulares são responsáveis por cerca de 180 mil novos casos por ano. O melanoma é o tipo mais agressivo, com 8,5 mil casos registrados anualmente. É considerado mais grave devido à elevada possibilidade de provocar metástase.

Especialistas orientam procurar um médico especializado ao perceber qualquer lesão suspeita na pele e nas mucosas, em qualquer parte do corpo, na forma de manchas, pintas ou sinais. O diagnóstico precoce é fundamental no sucesso do tratamento. Mesmo no caso do melanoma, que traz medo e apreensão aos pacientes pela agressividade do tumor, a chance de cura é de mais de 90% se diagnosticado na fase inicial da doença.

Por isso, além do uso constante de protetor solar mesmo em dias nublados, é fundamental observar a própria pele constantemente e procurar imediatamente um dermatologista em caso de qualquer sinal diferente. Pessoas de pele clara que se queimam com facilidade ao sol precisam redobrar a atenção e os cuidados, porque apresentam riscos mais elevados de desenvolver a doença.

Conforme a SBD, é importante ficar atento aos seguintes sintomas: lesão na pele de aparência elevada e brilhante, translúcida, avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, com crosta central e que sangra facilmente; pinta preta ou castanha que muda sua cor, textura, torna-se irregular nas bordas e cresce de tamanho; mancha ou ferida que não cicatriza, que continua a crescer apresentando coceira, crostas, erosões ou sangramento. A rotina do autoexame facilita o reconhecimento dos casos.

No caso de melanomas metastáticos, outros sintomas podem aparecer, de acordo com a área para onde o câncer avançou, como nódulos na pele, inchaço nos gânglios linfáticos, falta de ar ou tosse, dores abominais e de cabeça, por exemplo.

Nenhum exame em casa substitui a avaliação de um médico especialista, mas os dermatologistas indicam uma metodologia para reconhecer as manifestações, a Regra do ABCDE: assimetria, borda, cor, dimensão e evolução.

A SBD chama a atenção para o diagnóstico e tratamento precoce de todos os tipos de câncer de pele, porque mesmo os de baixa letalidade podem provocar lesões mutilantes ou desfigurantes em áreas expostas do corpo, gerando sofrimento ao paciente.

Aproveitar o verão e os dias ensolarados na praia e em outros espaços abertos é o sonho de muitos para descansar e relaxar, mas evitar a exposição excessiva ao sol e proteger a pele dos efeitos da radiação ultravioleta (UV) é fundamental para prevenir o câncer de pele. Usar um protetor solar com bom fator de proteção, óculos escuros, chapéus de abas largas e roupas que cubram boa parte do corpo são medidas recomendadas, além de evitar o sol no horário entre 10h e 16h, quando a radiação é mais forte. Todo cuidado é pouco. Aproveite o verão, mas sem deixar de lado a proteção.

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