» Sr. Redator

Garimpos

Levantamentos feitos pelo Greenpeace revelam que, nos últimos cinco anos, mais de 600km de rios foram destruídos pelo garimpo ilegal em terras indígenas e em áreas de preservação permanente, só no estado do Pará. A contaminação dos povos indígenas por mercúrio nesses locais é de 100% dos indivíduos, com teores altíssimos. A extração de ouro chega a mais de 1.700kg por ano, o que representa um valor de mais de meio bilhão de reais. No entanto, o prejuízo ambiental é estimado em 20 bilhões de dólares, uma conta negativa para a natureza. E para onde vai esse ouro contrabandeado? Para os países ricos, os mesmos que criticam a política ambiental brasileira, mas são coniventes e se aproveitam da corrupção e leniência do governo. Os principais compradores são Canadá, Reino Unido e Suíça.

Humberto Pellizzaro,

Asa Norte

Caminhada

Hoje de manhã, fazendo minha caminhada pelas calçadas da Asa Sul, acabei dando de cara com a Igrejinha da 308 Sul (a Nossa Senhora de Fátima, projeto de Niemeyer). Era bem cedo, não havia quase ninguém pelas proximidades, as portas estavam abertas, tocava linda música sacra. Uma equipe de TV entrevistava um cara (não reconheci, talvez um arquiteto) sob a linha delicada de concreto pintado de branco que vem da parte posterior da igreja como uma ave se curvando para alçar voo, se eleva e termina numa cruz pequena, discreta. De lá desce, formando outra curva até o chão. Pela primeira vez, essa linha descendente me pareceu uma figura genuflexa diante da extrema singeleza do conjunto. Atrás, a Escola Parque pioneira da cidade, também de Niemeyer, com suas linhas retas, seus pilotis e janelões, escolona gostosa, em cuja lateral tem esta frase de Anisio Teixeira: "Democracia é, literalmente, educação". Da igreja se ouvia a algazarra de maritacas das crianças chegando para as aulas. É tudo muito bonito! A gente anda por aqui e às vezes nem nota mais o que tem de sonho, de competência, de criatividade, de beleza nesta cidade.

Maristela Bernardo,

Lago Norte

Política sem ódio

A sabedoria política diz que o eleitor sai de casa no dia da eleição não para eleger alguém, mas, principalmente, para derrotar. Se não dá para generalizar de modo absoluto, a coisa tem algum fundamento. Colhe o sucesso na urna quem, além de despertar o amor nos seus, sabe alimentar o ódio ao adversário. Daí que os apelos por uma política sem ódio acabem caindo no vazio, explícita ou implicitamente. Coisa de gente ingênua ou esperta demais. De vez em quando, aparece um candidato "paz e amor", como Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 ou Barack Obama em 2008. Cuidado, porém: mesmo o postulante que não odeia explicitamente precisa que alguém, ou muitos odeiem por ele. Lula colheu o fruto eleitoral de anos de ataques do PT ao tucanismo de Fernando Henrique Cardoso. E a eleição de Obama foi sem dúvida uma revanche contra o odiado governo de George W. Bush e suas guerras. A política dita civilizada não elimina o ódio de raízes ancestrais e costumeiramente de características tribais. Apenas dá um jeito de as disputas serem resolvidas sem muito sangue. Aí diz-se que "as instituições estão funcionando". Atenção: essa funcionalidade institucional não supõe necessariamente justiça, no mais das vezes apenas permite que a injustiça prevaleça de um jeito que não inviabilize que as coisas continuem rodando na normalidade. Mas do que depende esse "funcionando"? Alguns nutrem a crença no sistema de ideal, que vacinaria as sociedades contra o vírus da solução violenta dos conflitos. Certas vezes chamado de Estado de direito. Trata-se de um fetiche. Pois esse "estado" nada mais é que relações sociais, portanto entre pessoas, materializadas num papel. Ou num PDF.

Renato Mendes Prestes

Águas Claras

Navegar é preciso...

Seria bom alertar ao general Otávio Santana do Rego Bastos que a frase famosa "Navegar é preciso; viver não é preciso", não é de Fernando Pessoa. Raimundo Magalhães Jr. diz no seu Dicionário de Curiosidades Verbais, que se trata da "forma portuguesa de uma frase atribuída por Plutarco ao general e cônsul romano Pompeu. Por desconhecimento, pessoas atribuem essa frase ao poeta português Fernando Pessoa, que apenas a citou, como antes dele o fizera o poeta italiano Gabrielle d'Annunzio, num de seus livros da série Laudes.

Joares Antônio Caovilla

Asa Norte