VISÃO DO CORREIO

À espera de novos sinais da ômicron

Na dúvida, não ultrapasse. Comumente usado em placas no trânsito, o alerta serve para quase todas as situações de risco na vida. E se aplica, neste momento, à ômicron. Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como tão preocupante quanto a delta e, possivelmente, mais transmissível, a variante provocou pânico mundo afora. Passadas três semanas desde que foi oficialmente sequenciada na África do Sul, cientistas parecem concordar quanto ao alto risco de contágio da nova cepa. Mas não sobre a letalidade.

Principal assessor do governo dos Estados Unidos sobre a pandemia, o imunologista Anthony Fauci foi o primeiro cientista de renome internacional a se pronunciar, publicamente, sobre os sinais de que a ômicron não aparenta ter o risco que abalou o planeta quando foi anunciada. "Até agora, não parece haver um grande grau de gravidade", disse. Mas ponderou: "É muito cedo para fazer qualquer afirmação definitiva".

No entanto, o epidemiologista Karl Lauterbach foi além. Antes mesmo de assumir o posto de ministro da Saúde da Alemanha, na semana passada, ele declarou que a ausência de indícios sobre casos graves associados à ômicron parece indicar que as mutações identificadas na proteína spike, porta de entrada do vírus nas células humanas, sofreram modificações para infectar pessoas, em vez de matar. É uma evolução, explicou, que ocorre com a maioria dos vírus respiratórios. E se a ômicron tiver chegado a esse estágio e se tornar preponderante, avaliou, pode acelerar o fim da pandemia. É um "presente de Natal antecipado", descreveu.

Nos últimos dias, outra informação trouxe alívio real ao mundo. As farmacêuticas Pfizer e BioNTech anunciaram que três doses da vacina que produzem são capazes de neutralizar a nova cepa. Além disso, até a última sexta-feira, não havia nenhuma notificação sobre casos graves, internações ou morte nos cerca de 60 países onde a ômicron já está presente. De forma geral, os infectados apresentam sintomas leves, semelhantes ao de uma gripe comum.

Mas, quando foi identificada pela primeira vez, a ômicron provocou pânico no mundo. No dia seguinte à descoberta da variante, o temor de retrocesso global na economia derrubou as principais bolsas de valores do planeta. Em reação quase instantânea, Brasil, Estados Unido, Canadá, Israel, União Europeia e Reino Unidos decidiram impor restrições à entrada de pessoas vindas da África do Sul e de países vizinhos.

Com cerca de 617 mil mortes pelo coronavírus no país e diante da escassez de dados científicos sobre a variante, governadores e prefeitos brasileiros optaram pela cautela. As festas oficiais de réveillon foram suspensas na maioria das capitais. Entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza. Até que se tenha dados mais concretos sobre a ômicron, cientistas dizem que o melhor é acelerar a vacinação e manter o uso de máscara. Além disso, na dúvida, não ultrapasse: mantenha o distanciamento físico.