Editorial

Visão do Correio: Crimes de guerra

Correio Braziliense
postado em 22/03/2022 06:00
 (crédito: Gabinete do Chefe da Defesa/Twitter)
(crédito: Gabinete do Chefe da Defesa/Twitter)

As cenas de ataque desumano a uma maternidade na Ucrânia, com imagens como a de uma mãe grávida sendo socorrida por equipe de resgate, horrorizaram o mundo. E logo ficou claro que a atrocidade não se tratava de um erro isolado. Bombardeios a alvos civis se multiplicam a cada dia no país invadido e levaram o presidente russo, Vladimir Putin, a ser visto como uma espécie de pária pela esmagadora maioria da opinião pública internacional. Isso porque, até mesmo numa guerra, há limites às atrocidades perpetradas.

Ninguém pode sair disparando a esmo contra supostos inimigos. Há regras que balizam a atuação dos países em meio a um embate armado. São tratados e protocolos internacionais acordados ao longo de séculos, mas que foram formatados sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, para proteger pessoas (e outros objetivos não militares) do contencioso bélico. Os textos especificam quem são aqueles que não podem ser alvos de ataques. Entre eles, estão civis, médicos e enfermeiros, soldados feridos e prisioneiros de guerra.

Logo depois das notícias sobre as investidas contra hospitais, teatro, conjuntos residenciais e shopping, com cenas impactantes de mortos, feridos, prédios em ruínas em meio às chamas e o desespero de pessoas desabrigadas, a discussão sobre se o líder russo estava torpedeando a legislação internacional e violando direitos humanos disseminou-se mundo afora. E ganhou força, na semana passada, com a declaração do presidente americano, Joe Biden, de que Putin é "um criminoso de guerra".

Até dentro do próprio país, Vladimir Putin enfrenta imenso desgaste desde o início da invasão à ex-república soviética. Milhares de pessoas já foram presas por participar de manifestações contra o conflito. Claramente derrotado na opinião pública internacional, o autocrata endureceu a repressão policial interna contra os protestos e decidiu fuzilar a verdade, aquela que costuma ser a primeira a morrer nesse tipo de embate. Ele aprovou uma lei no país que proíbe jornalistas de chamar a guerra de guerra. Quem divulgar notícia que o Kremlin considere falsa, por exemplo, pode ser punido com multa e pegar até 15 anos de prisão. Putin também entrou pesado numa disputa de versões sobre o que ocorre na Ucrânia, atribuindo ao governo de Kiev todos os massacres contra civis.

Candidatos a ditadores, desses que vivem disputando eleições, mas não veem a hora de sabotar a democracia, sobretudo impondo obstáculos à imprensa livre, veem com simpatia os arroubos ditatoriais de Putin. E desdenham dos esforços dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia, que vêm atuando em duas frentes contra a guerra. Numa delas, por meio de sanções que visam asfixiar economicamente Moscou e a elite russa que dá suporte político a Putin. Noutra, em ofensiva diplomática em busca de acordo para o fim do conflito. No entanto, os sinais que vêm do Kremlin são cada vez mais perturbadores.

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