Operação Lava-Jato e mensalão

Visto, lido e ouvido: Tempo incertos

Circe Cunha
postado em 24/03/2022 06:00
 (crédito: Caio Gomez)
(crédito: Caio Gomez)

Quando, dois anos atrás, um leitor afirmou que não demoraria muito tempo para que a nossa tão desacreditada Justiça mandasse devolver todo o dinheiro que foi desviado pela turma petista da Petrobras e de outras estatais, assim como o dos fundos de pensão e de todos os locais onde essa gente raspou os cofres, teve gente que duvidou que tal audácia, mesmo vinda das altas Cortes do Olimpo, seria possível.

Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal, decretando a "descondenação" do artífice-mor do mensalão, tudo dentro da novilíngua jurídica da era lulista, todo o resto desse capítulo, de nossa infame história, parece seguir seu rumo natural, ou pelo menos as estratégias que as altas Cortes traçaram para possibilitar que Lula volte a subir, com pompas e circunstâncias , a rampa do Palácio do Planalto.

Caso isso aconteça, com ele estarão subindo a tal rampa palaciana toda essa gente que participou, direta e indiretamente, do maior caso de corrupção visto na história do país. Com ele, virão ainda os mesmos meneios malandros dessa arte degenerada de fazer política, as mesmas táticas e artimanhas para sangrar o erário e todo um passado sinistro que se supunha ter encerrado, no momento em que as chaves da prisão desse personagem, deu três voltas na fechadura pondo fim à uma saga de crimes.

Alguns meses se passaram, tempo suficiente para a poeira do esquecimento começar a cobrir esse caso, e os ministros supremos, como era previsto, decidiram libertar Lula do catre e devolve-lo às ruas. Não as ruas, propriamente dita, porque nesse ambiente aberto e onde reina a voz solta da população, Lula não se atreve desfilar. Isso, de certa forma, criou uma espécie de prisão para quem se gabava de ser o maior líder popular de todos os tempos. Lula vive hoje dentro de nichos fechados, onde só entra gente escolhida por ele. Nem nos aeroportos é visto. Lula é prisioneiro de suas aldrabices, resumindo sua existência ao mundo virtual das mídias sociais.

Aberta a caixa de Pandora pelo Supremo Tribunal Federal (STF), toda fumaça funesta ali contida vai se espalhando pelo ar, contaminando a todos, principalmente os operadores de Justiça, que, agora, vêm a Lava-Jato como um mal a ser imediatamente apagado das páginas de nossa história, para que as futuras gerações não vislumbrem a possibilidade de fazer renascer no Brasil os elementos básicos de toda e qualquer Justiça digna do nome. O fato é que a pari passu, todas as pegadas, ainda vivas, que levam às cenas dos crimes precisam ser desfeitas. Realizada essa tarefa suprema, resta, como seria óbvio, devolver aos pseudoinocentados e perseguidos políticos, todo o espantoso volume desse butim, orçado em bilhões de reais.

A eles, para que a justiça seja feita, nesses moldes que aí estão, caberão ter de volta toda essa dinheirama, para que assim se cumpra o ditado que diz que justiça pela metade não é justiça. Para começar esse estorno às algibeiras de origem, não as estatais ou aos cofres públicos, como seria correto num país decente, o STJ, que anteriormente havia condenado esse triste personagem, decidiu que a devolução dessa dinheirama deve começar pelo pagamento de uma indenização, feita pelo ex-chefe da Operação Lava-Jato, Deltan Dallangnol a ninguém menos do que ao próprio Lula, a quem chamou de chefe de quadrilha. Por sua aberração ficcional, só vendo aquele capítulo que mostra o criminoso Pinguim, como figura pública respeitável, perseguindo o Batman, numa trama às avessas e que parece anunciar um tempo de hienas.

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