» Sr. Redator

Correio Braziliense
postado em 26/03/2022 00:01

Futebol

A Seleção penta campeã do mundo leva junto com as chuteiras para a Copa no Catar, esperanças em busca do sonhado hexa. Tarefa difícil. Mas o jogo é jogado e lambari é pescado. Igualmente saudável, a meu ver, as imagens dos jogadores, finalmente, cantando o Hino Nacional. Como fazem outras seleções. Estufando os pulmões de emoção e patriotismo. Estimulados pelo fervoroso coro dos torcedores. Forte indício, seguramente, de novos tempos e ventos de trabalho e união de esforços na CBF, sob o comando do baiano Ednaldo Rodrigues.

Vicente Limongi Netto,

Lago Norte

Ucranianos renomados

Todo o mundo está se revoltando contra o procedimento do governo da Rússia, em relação à população da Ucrânia, em uma guerra expansionista. Foguetes e tanques são lançados contra supermercados, hospitais, edifícios residenciais e até escolas, matando criaturas humanas, famílias inteiras, homens, mulheres e até animais de estimação. Em 1939, no começo da 2ª Guerra Mundial, a Polônia, de Chopin, também foi atacada pelas forças de Hitler, quando, então, muitos poloneses fugiram para o Ocidente. Na época, a Ucrânia fora anexada à União Soviética. Em 1935, uma família da Ucrânia fugiu para o Brasil, trazendo a filha Clarice Lispector, ainda com meses de idade. A menina viria a ser naturalizada e adaptada logo ao nosso país. Aos 17 anos, brasileira naturalizada, em 1943, escreveu um romance Perto do coração selvagem, que obteve aceitação popular, merecendo o prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras (ABL). Em seguida se apresentou como voluntária, seguindo para Itália com a Força Expedicionária Brasileira. Após a vitória final, retornando ao Brasil, começou uma brilhante carreira literária, publicando vários romances que alcançaram grande vendagem e popularidade. O seu livro A hora da estrela, foi filmado, conquistou o primeiro lugar no festival de Brasília. Nascido também na Ucrânia, o imigrante Adolpho Bloch veio para o Brasil, iniciando suas atividades na indústria gráfica. Ele Progrediu e se tornou editor e empresário de espetáculos artísticos, editor de uma revista de grande aceitação, a Manchete e, progressivamente, uma rede de televisão com o mesmo nome. Contratou profissionais de grande prestígio para suas empresas, sendo o redator chefe de sua revista o membro da ABL e romancista Carlos Heitor Cony.

Ruy P. Valle,

Asa Norte

Lei da Calamidade

É quase sempre um perigo escrever alguma coisa a favor do governo, seja ela qual for, em qualquer época e em relação a qualquer assunto. O castigo costuma vir a cavalo. Basta o sujeito dizer que o governo está indo bem nisso ou naquilo, e pronto. Em seguida, acontece alguma coisa ruim, ou uma alta autoridade se mete em confusão de grosso calibre, ou, simplesmente, sai mais uma novidade da usina de desastres em potencial que toda administração pública mantém em funcionamento 24 horas por dia. Pela Lei Geral da Calamidade Oficial Contínua, segundo a qual tudo o que o ser humano pode governar tende a ser mal governado, a máquina governamental anula automaticamente o que fez de bom a cada vez que faz o mal. Como o mal vai sempre aparecer, mais cedo ou mais tarde, o bem está condenado, o tempo todo, a ir para o espaço. O caminho utilizado é o que tem sido feito pelos órgãos de comunicação, porém, não muito transparente, é postado pela mídia em geral: "Acusar o governo, sempre". As acusações, a população sabe a sua procedência. O problema é que as coisas boas efetivamente acontecem, mas, mal aparecem na mídia, ou, simplesmente, não aparecem. A realidade fica escondida pela fumaça obscura da mídia que cobre o noticiário. Há um país melhor aí?

Renato Mendes Prestes

Águas Claras

Animal inviável

Aparentemente, o mundo estava tranquilo, balançando-se no narcisismo das redes sociais. Nenhuma emboscada. Nenhum fio desencapado perturbando a ordem mundial. O capitalismo chinês navegando de braçadas nos contêiners que singram os mares da globalização. Tudo por uma ninharia de 1,99. Pura sedução de se comprar de olhos fechados. O pato Donald Trump, depois de decapitar o Capitólio, foi para as cucuias. Deixou órfãos aqui e acolá. Mero blá-blá-blá. A epidemia da covid, de vento em popa, agora nos poupa um pouco com vacina. Nada de baixar as armas. Baixar as armas? Eis que chega a roda viva. Tudo ficou ruim. Putin veio para balançar o coreto da nova ordem mundial. Até ameaça de arma nuclear! O núcleo da família ucraniana está se esfarelando em comboios de trens no corredor polonês. O czar, frio como as geleiras do Gulag, nos engasga com ameaças. Até parece que está gagá. Vê a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como uma tantan diante, em cima e embaixo da cama, no céu, na terra, no ar. Calculista, egocêntrico, de formação sedimentada nas cartilhas kagebeanas, ele nos deixa irritado. Foi capaz de reunir os principais líderes mundiais contra si. Ganharia o Nobel da Paz se fizesse com que eles se reunissem por guerra à pobreza. Pobre coitado. A argumentação de que organização xis, país xis, região xis tem interesse expansionista geopoliticamente torna permanente os conflitos. Estamos aflitos. No dizer do saudoso Millôr Fernandes, o homem é um animal inviável.

Eduardo Pereira,

Jardim Botânico

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