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Artigo: Putin, o confeiteiro do globalismo

Correio Braziliense
postado em 28/03/2022 06:00
 (crédito: Getty Images)
(crédito: Getty Images)

Por DIOGO DA LUZ 

Agroempreendedor, piloto de aeronave e ex-candidato ao Senado pelo Novo em 2018

Havia uma velha caixa de ovos na despensa, até que resolveram achar que era daninha e, de tanto bater, fizeram um bolo de ovos em claras, à espera da cereja. Enquanto a direita livre e racional defende firmemente a liberdade de escolhas, o direito à propriedade e aos domínios territoriais de uma nação, a utopia globalista prega que a Amazônia e o mundo são nossos, como se tudo fosse de todos e nada de ninguém, sempre sob a tutela do Estado lindo, provedor e colorido, tipo Imagine, como diria John Lennon.

E, prometendo essa magia do governante poeta e desarmamentista, nasceram os líderes "peace and love", como Volodmir Zelensky, Joe Biden e outros, cheios de discursos politicamente corretos, que lembravam o ingênuo plantador de amendoins, Jimmy Carter. Todos, como mostra a história, fadados ao fracasso retumbante, tal qual o PT no Brasil: veio, insistiu, ganhou, destruiu e sumiu, enxovalhado pelo povo.

De outro lado, quando quase ninguém imaginava, veio uma tal de grita dita como salvadora e Putin começou a metralhar a pobre Ucrânia, como se aquela população fosse a causadora dos males da humanidade. Não bastasse, resolveu chamar o único presidente judeu do mundo, além do israelense, de nazista. De tão insana a sua narrativa e ofensiva, Putin fez daquele inexpressivo ator, um herói mundial, digno dos maiores palanques imagináveis. Nada como um ataque ao fracote para fazer dele, mais que uma legítima vítima, senão um herói. Foi o que aconteceu.

Vale ressaltar que a invasão russa à Ucrânia tornou-se pauta eleitoral no Brasil. Desde que o presidente Vladimir Putin determinou a operação militar no leste europeu, pré candidatos ao Palácio do Planalto se lançaram nesse balaio de gato. Luiz Inácio Lula da Silva foi às redes sociais questionar "para que serve um presidente que briga com todo mundo". "Até em coisas sérias, ele (Bolsonaro) mente, disse que tinha conseguido a paz ao viajar para a Rússia", escreveu Lula.

O petista referiu-se à declaração de Jair Bolsonaro de que Putin "busca a paz" e que, "coincidência ou não, parte das tropas deixaram a fronteira" durante a visita do presidente brasileiro. O Planalto reagiu. A primeira contraofensiva partiu do ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. Segundo ele, a politização da guerra na Ucrânia é "oportunista".

Mas de fato a polarização está em todo lugar, seja de um lado ou do outro. Os grupos de WhatsApp, por exemplo, se tornaram uma empreitada difícil. Você entra em um grupo literário e uma semana depois passa a receber figurinhas, vídeos e "alertas" sobre Lula ou Bolsonaro. A gente sabe muito bem aonde isso tudo pode dar.

Em 2018 não houve debate qualitativo e elegemos o presidente num espírito anti-PT. Desnecessário relembrar os motivos do desgaste do partido, afundado em denúncias de desvios de recursos públicos. E agora o ex-presidente reaparece no cenário político. E de novo a gente fica com a impressão de que está assistindo a uma partida de futebol com apenas dois jogadores em campo.

O Brasil não pode seguir os passos do que de pior foi praticado em todos os sistemas totalitários. E aqui cito apenas algumas como a divisão da sociedade; a manipulação da opinião pública; o culto à personalidade, a demagogia e o populismo; a falta de transparência dos gastos públicos e a busca do salvador da pátria; o assassinato de reputações; e a polarização pura e simples, com a falta de discussões de ideias. Isso sem entrar no mérito do aparelhamento de instituições.

Se queremos um mundo livre e menos polarizado, precisamos entender que não se trata de uns contra outros, mas de apenas um contra todos, ou seja, é você, sua mãe, seu filho, sou eu e cada um de nós que está sendo oprimido por grupos de poder, que querem mandar em todos.

Quanto mais aceitarmos esse divisionismo de lá ou cá, mais seremos prisioneiros do populismo "salvador", mas autoritário. Nossa libertação está forçosamente no equilíbrio e na percepção que apontar o dedo, bater e bater só faz crescer o bolo alheio. Para mim chega! Precisamos abraçar projetos e pessoas que parem de tacar pedras e comecem a falar de propostas e soluções. Minha vida na aviação ensinou que apontar culpados, até pode resolver o passado, mas não previne a repetição dos erros e muito menos abre caminhos para o futuro.

 

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