Caciquecracia

Correio Braziliense
postado em 15/04/2022 00:01

Mesmo tendo se livrado, parcialmente, do coronelismo e suas vertentes, o Brasil ainda experimenta algumas cópias mal feitas desse fenômeno do folclore político nacional. O atual candidato pelo PDT, Ciro Gomes, chamado por muitos de "coroné", busca insistentemente espaço na vida pública do país para exercer seus dotes de mandonismo, embora sua performance fique longe do que deseja hoje o eleitor brasileiro.

Nem bem parece ter enterrado o coronelismo, o país assiste agora ao fortalecimento de uma segunda praga política, representada pelo caciquismo ou o que seria a preponderância dos presidentes de partidos dentro do ordenamento político e institucional do país. Trata-se aqui não de uma praga tão nova, mas que vem adquirindo nos últimos anos uma força extraordinária, muito mais em razão dos vícios que exibem do que pelas virtudes raras. 

Na verdade, falar em presidente de partido não esclarece precisamente a posição desses mandatários dentro das legendas. O certo e inegável é que essas figuras de proa, raposas descoladas e experientes nas artes da engabelação política, são, e não negam, donas dessas legendas, que comandam como bem querem, atraindo e repelindo outras parcerias, sempre de acordo com a mudança dos ventos.

A impossibilidade de candidaturas avulsas realçam ainda mais esse poderio dos caciques. Somente através deles e com suas bençãos é que os candidatos podem disputar ou almejar algum cargo público. Eles dominam o país e submetem tanto os correligionários como o próprio governo a agirem de acordo com suas pretensões.

Depois da opressão representada por sindicatos, coronéis, chega agora a vez, na história política do país, da opressão exercida pelos partidos, que nada possuem de democrático e que são guiados para muito longe do que seria o interesse público. Longe do público, mas perto do privado e da cobiça pessoal. Não há identificação alguma entre o grosso da população e quaisquer desses partidos que aí estão. Representam a si próprios e os seus.

A população, na figura dos eleitores, entra nesse esquema apenas para referendar o modelo viciado, que é causa e consequência do atual estágio socioeconômico do país. Os fundos partidários e eleitorais, a turbinar esses clubes políticos com bilhões de reais, extraídos contra a vontade dos contribuintes, deram a essas legendas um poderio sem igual, elevando os caciques dessas siglas à posição de verdadeiros plutocratas.

Eles decidem quem serão os deputados, senadores, governadores e prefeitos que disputarão o pleito deste ano, quem sairá como candidato da legenda na disputa para presidente da República, isso se não decidirem antes que a sigla não lançará candidato ao Executivo.

De fato, eles decidem e organizam a distribuição de candidatos a cada cargo. Exercem o poder pelo poder. Não há hoje, no país, empresa alguma mais lucrativa do que um partido político. Não surpreende, pois, o número exorbitante de legendas, todas elas muito bem posicionadas em cada teta do Estado.

Estamos diante de um fenômeno que cresceu e até merece hoje um neologismo: a caciquecracia. Estamos aqui diante de um novo modelo de velhas práticas, em que a carne putrefata permanece a mesma, mudando apenas as moscas por cima. E pensar que uma reforma política séria poderia dar um fim a essa moscaria. O que ocorre é que, aparentemente, os eleitores parecem ter se acostumado a esse ambiente mal cheiroso.

» A frase que foi pronunciada

"Meu caro jornalista, isso me deixa bastantemente entristecido, com o coração afogado na decrepitude e no desgosto. Numa hora em que eu procuro arrancar o azeite-de-dendê do estágio retaguardista do manufaturamento (...), me vêm com esse acusatório destabocado somentemente porque meia dúzia de baiacus apareceram mortos na praia."

Odorico Paraguaçu

Encontro

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Teatro

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Social

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