» Sr. Redator

Correio Braziliense
postado em 20/04/2022 00:01

Gratidão

Era janeiro de 1959. Acabara de ser dispensado do serviço militar. Lá da terra dos maracatus, eu ouvia boas notícias sobre você. E para tirar a prova dos nove, resolvi vir pessoalmente conferir. De mala e cuia, aboletei-me num pau de arara. Quebrando aqui, quebrando ali, treze dias depois, cheguei. Sem preconceito, você abriu seu coração para mim. Abrigou também nele pessoas das mais diversas origens, raças, credos, costumes, línguas, dialetos. Misturou pernambucanos, goianos, gregos e baianos. Um mosaico humano de mil e um sotaques e de mil e uma histórias. Resultado: surge aí uma nova família — a família brasiliense. Com identidade própria. Como disse, cheguei de mala e cuia. Sem estudo, sem profissão. Com uma mão na frente e outra atrás, eu fui bem acolhido. Depois de me adotar e me dar as oportunidades que eu não tive lá no meu sertão, testemunhei como verdadeiras as boas notícias que ouvira. Pois bem. Transitando entre seus Eixos, Asas e superquadras pude tirar proveito das boas notícias que recebera. Prosperei. Posso dizer que venci. Como venceram tantos outros filhos seus — adotivos e legítimos. Pela minha família, eu agradeço. Muito obrigado, Brasília. Parabéns pelos 62 anos! Amo-a de paixão!

Arlindo Jerônimo Ferreira,

Asa Norte

Homenagem

Com um misto de satisfação e decepção, li a lista de agraciados com a medalha Brasília 60 anos. Talvez a maior parte deles tenha real mérito, mas encontramos também figuras carimbadas, que usaram a mística da cidade e seu povo para se darem bem na vida, seja explorando, seja manipulando. Outros foram contemplados por pura política. No entanto, até onde pude verificar, não encontrei uma única personalidade entre os operários, verdadeiramente humildes, que chegaram anônimos e pobres e continuam nessa condição, os verdadeiros artífices da construção da cidade. Eles chegaram anos antes da inauguração e mourejaram nos inóspitos canteiros de trabalho e desconfortáveis acampamentos de casas de madeira. Entre os injustiçados, reputo o engenheiro Luiz Pellizzaro (falecido) e sua esposa Margarida de Alcantara Pellizzaro, com 104 anos. Sou suspeito para falar, pois são meus genitores, mas não há ninguém vivo, salvo engano, com o comprometimento deles com Brasilia. Dona Margarida, nos anos 1945, pertenceu à Comissão de Estudos para a localização da Nova Capital do Brasil, que, finalmente, definiu os limites territoriais. Propus à Câmara Legislativa do DF o título de Cidadã Honorária à dona Margarida, mas até o presente nenhum deputado distrital se dignou a apreciar e propor a medida. Dona Margarida, na sua humildade, não faz questão de homenagens, é apenas um ato de reconhecimento que os atuais mandatários tem a saldar.

Humberto Pellizzaro,

Asa Norte

Amor a Brasília

Em fevereiro de 1972, vindo do Recife/PE como integrante da XI Operação do Projeto Rondon, permaneci por cinco dias em Brasília, uma vez que estava em trânsito para Mineiros/GO esperando a liberação do avião da FAB que nos levaria àquela cidade, lá se vão 50 anos de uma paixão avassaladora pela bela capital do Brasil, "Brasília, te amo de paixão". Você está aniversariando dia 21 deste mês e continua tão bela quando foi concebida pelas mãos do Lucio Costa, Oscar Niemeyer, os candangos e sob o olhar do visionário que via muito adiante, o mineiro de Diamantina, doutor Juscelino Kubitschek, naquela data nascia Brasília e o Correio Braziliense, também com o olhar visionário do paraibano de Umbuzeiro, doutor Assis Chateaubriand. Parabéns duplo.

Hortêncio Pereira de Brito Sobrinho,

Goiânia (GO)

Racismo

Parabenizo o Correio Braziliense pelo perfeito destaque à injúria racial, contra a socorrista Laura Cardoso, que estava pronta para fazer seu trabalho, solicitado via Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ao entrar no quarto do homem de 90 anos que sofria com sequelas de AVC e hipertensão, ela foi recebida aos gritos pela esposa do paciente, que questionava o fato de ela ser negra. Fica a minha satisfação por essa notícia tão bem detalhada, expondo o racismo que trabalhadores sofrem a todo momento socorrendo vidas.

Joyce Caetano,

Belo Horizonte (BH)

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