Cutucando a onça com vara curta

Correio Braziliense
postado em 27/04/2022 00:01

Não há quem possa desconhecer o fato de que o pilar a dar base e sustentação, em todo o mundo, tanto às ditaduras de esquerda quanto às de direita, assim como para preservação das democracias, tem sido, ao longo da história, as Forças Armadas. São elas, mais do que qualquer outra instituição, que garantem o regime do plantão, sejam baseados em leis justas ou não.

No nosso país, o caso não é diferente. De acordo com o artigo 142 da Constituição do Brasil de 1988, as Forças Armadas "destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". Leis, ordens, instituições, garantia dos poderes e outras incumbências são dadas às Forças Armadas. Isso, por um motivo que parece despercebido de muitos, pelo fato de serem uma instituição de força armada e treinada para guerras ou conflitos.

Em países como Venezuela, Cuba, China, Rússia, Coreia do Norte e outros espalhados pelo planeta, onde os regimes de governo ditatoriais são a regra, é graças ao apoio dessas forças armadas que os mandatários, mesmo aqueles mais sanguinários e tirânicos, fazem prevalecer suas vontades e caprichos. Alguns pacifistas e adeptos do desarmamentismo mais realistas que os reis chegam a afirmar que a existência de guerras e conflitos pelo mundo, ao longo da história, podem ser debitados, exclusivamente, à existência de forças armadas, que têm, atrás de si, um poderosíssimo conglomerado de empresas que fabricam produtos bélicos de toda a espécie.

Ao longo de 2020, os gastos militares no mundo atingiram mais de 2 trilhões de dólares. No Brasil, no mesmo ano, as despesas com defesa somaram R$ 8,1 bilhões, a maior parte consumida com pessoal. O Brasil ocupa hoje a 13º posição mundial no gasto com armamentos, cerca de R$ 22,8 bilhões anuais, segundo lista elaborada pelo Stockholm International Peace Research Institute. De acordo com o International Institute for Strategic Studies, o Brasil, está no 11º lugar com gastos de R$ 24,3 bilhões. São despesas insignificantes perante países como os Estados Unidos, China ou Rússia, mas ainda assim demonstram, de modo convincente, que o reforço bélico das instituições armadas é sempre uma prioridade de Estado, também aqui por uma razão prática: a garantia de governos, democráticos, ou não.

Temos assim, numa primeira reflexão, que concluir que tanto democracias quanto tiranias dependem das Forças Armadas para existir e se impor. Tudo isso nos leva a um outro raciocínio: a espécie humana parece reconhecer apenas nas forças de persuasão armadas o único poder capaz de controlar e impor as leis. Dessa forma, temos que admitir que a existência da democracia e suas vertentes dependem, de forma vital, das Forças Armadas. Por outro lado, pode inferir ainda que qualquer indivíduo ou grupo que venha a obter ascendência sobre as Forças Armadas, também poderá garantir a imposição de suas vontades, sejam elas quais forem.

Trata-se de um assunto que, ao contrário do que possamos pensar, é mais delicado do que uma pena de beija-flor, mas tão áspero quanto a ponta de uma baioneta. Reflexões do gênero nos levam a pensar no perigo que todos corremos quando observamos personalidades da vida nacional, de todas as matizes ideológicas, entram num jogo insano de açularem as Forças Armadas, jogando uns contra os outros, desejando francamente e, mais uma vez, a abertura dos portões dos quartéis e o avanço dos canhões, numa ação que nos faz lembrar o antigo preceito de não cutucar a onça com vara curta.

» A frase que foi pronunciada

"Afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral, ainda mais sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável e constitui-se em ofensa grave a essas Instituições Nacionais Permanentes do Estado Brasileiro. Além disso, afeta a ética, a harmonia e o respeito entre as instituições."

General Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, em resposta às declarações do ministro Barroso

La Paz

Uma fatalidade aconteceu com a líder de movimento pró-aborto, depois de abortar legalmente, na Argentina. Maria del Valle González López teve 23 anos de vida até optar por matar o filho dentro do ventre. Por obra do destino, o registro da morte da ativista foi o primeiro registrado desde o momento em que aquele país passou a aprovar esse tipo de assassinato. O procedimento ocorreu em La Paz, um município da província de Entre Ríos na Argentina.

Idosos

Reconhecido o trabalho da Casa do Ceará na Pousada Crysantho Moreira da Rocha, foi encaminhada uma proposta para a Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Distrito Federal para o aporte a 20 idosos. Atualmente, o governo dá cobertura financeira para a internação de só sete idosos. O presidente da Casa, José Sampaio de Lacerda Júnior, e sua equipe acompanham o trâmite da papelada com esperança.

» História de Brasília

O regime não funciona, não é por isso não. É porque todos os ministros são uns eternos turistas e, o que é pior, turistas sem planos. O ministro da Viação, que faz planificação de trabalho, pode apresentar resultado positivo. Os demais, coisíssima alguma. (Publicada em 21/2/1962)

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