opinião

Visão do Correio: o voto dos jovens pela democracia

Correio Braziliense
postado em 03/05/2022 06:00
A estudante Luma da Silva sempre conversa com o pai, Luiz Carlos, sobre política. Ela vai tirar ainda este ano o título de eleitor para as eleições de 2022 -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)
A estudante Luma da Silva sempre conversa com o pai, Luiz Carlos, sobre política. Ela vai tirar ainda este ano o título de eleitor para as eleições de 2022 - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press)

Termina amanhã (4/5) o prazo para que jovens tirem o título de eleitor para votar nas próximas eleições. É fundamental que esse grupo de cidadãos exerça o sagrado direito de escolher aqueles que vão nos governar e fazer as leis nos próximos quatro anos.

De 2018 para cá, o número de votantes entre 16 e 17 anos caiu 22%: eram 7,4 milhões, agora, são 6,1 milhões. A democracia brasileira, tão atacada, necessita da participação desse público, do qual sairão futuros líderes políticos. O Brasil precisa renovar seus quadros. E nada melhor para isso do que o engajamento, desde cedo, na defesa da liberdade de escolha e contra movimentos autoritários.

O país, infelizmente, está refém de velhos caciques políticos, os mesmos que sugam dinheiro público para garantir a permanência no poder. Recentemente, criaram um mecanismo para desviar verbas federais, o Orçamento secreto, sem prestar contas à sociedade. Somente neste ano, as tais emendas de relator vão movimentar mais de R$ 16 bilhões.

Esses recursos são distribuídos de acordo com os interesses do grupo de comando de Congresso. Não prestam contas do que fazem nem para o Supremo Tribunal Federal (STF). É a farra com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Na política, há lugar para todos. Mas o Brasil se ressente, há anos, de jovens políticos realmente dispostos a quebrar a estrutura arcaica que dá as cartas, sempre levando em conta os interesses próprios, e não os da maioria da população.

Nas eleições de 2018, surgiu o movimento da nova política. Porém, tudo não passou de uma campanha enganosa de marketing. Tirando duas ou três exceções, os novos políticos eleitos nada fizeram em benefício do país. Foram engolidos pelos caciques, que nunca tiveram tanto poder quanto na legislatura atual. Mandam e desmandam no governo.

Os jovens não podem usar a decepção com a política para se manter fora do debate, como se não tivessem nada a ver com os destinos do Brasil ou como se pouco pudessem fazer. Podem muito, inclusive, para barrar o extremismo que tanto mal está fazendo à sociedade mundo afora.

Recentemente, os jovens foram fundamentais para livrar a França da direita radical, que implodiria o modelo de bem-estar social que ainda impera naquele país. Devem fazer o mesmo no Brasil e em todos os países onde autocratas estão se colocando como salvadores da pátria, mas, na verdade, querem tirar liberdades, impor valores ultrapassados, armar a população, destruir a democracia.

O Brasil, sabe-se, tem enormes problemas: pobreza, desemprego, inflação alta, educação de péssima qualidade, saúde precária, violência. Mas esse quadro dramático só será revertido se a juventude abraçar a política e se conscientizar de sua força para mudanças.

O voto consciente é o melhor caminho para o fortalecimento do regime democrático e, sobretudo, para que as demandas dos cidadãos sejam atendidas a contento. Não exercer o direito ao voto é permitir que o velho filme se repita por anos e anos, favorecendo a corrupção, o autoritarismo e o desrespeito às instituições.

Mais de 1 milhão de jovens que votarão pela primeira vez neste ano já atenderam ao chamado da Justiça Eleitoral. Trata-se de um engajamento relevante. Contudo, é necessário mais. O Brasil nunca precisou tanto daqueles que prezam pela democracia e de lideranças capazes de mudar a atual direção que está empurrando o país para a beira do precipício. Há uma insistência enorme pelo retrocesso. Cabe aos mais novos, especialmente, evitar o desastre. As urnas estão logo ali.

 

CONTINUE LENDO SOBRE