Editorial

Visão do Correio: Desafios para o crescimento

Correio Braziliense
postado em 15/05/2022 06:00
 (crédito:  Breno Fortes/CB/D.A Press)
(crédito: Breno Fortes/CB/D.A Press)

A metade do ano está logo ali e as perspectivas para a economia continuam ruins. A inflação não dá trégua — está acima de 12% em 12 meses —, as taxas de juros, de 12,75% ao ano, subirão ainda mais e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não passará de 1%. Em vez de medidas consistentes para reverter esse quadro, governo e Congresso só têm olhos para as eleições. O único objetivo é garantir mais um mandato e as benesses que a vida pública proporciona. Os quase 12 milhões de desempregados que se virem para arrumar uma fonte de renda que lhes evite mergulhar com tudo na miséria.

Não há dúvidas de que o momento é desafiador em todo o planeta. O custo de vida deu um salto durante o auge da pandemia do novo coronavírus e disparou de vez depois da invasão da Ucrânia pela Rússia. A esse contexto preocupante, somou-se o aumento dos juros nos Estados Unidos e a onda de covid na China. O mundo passou a conviver com a escassez de insumos industriais e um choque atrás do outro de oferta. Os produtos chineses que abastecem o mundo passaram a carregar inflação, ao contrário do que ocorria antes da crise sanitária.

No Brasil, ao mesmo tempo em que as commodities agrícolas e minerais ajudam a incrementar o ritmo da economia, elevam o custo de vida. Por isso, a carestia está mais disseminada e resistente. A perspectiva é de que o aperto monetário promovido pelo Banco Central será mais prolongado do que se imaginava inicialmente. Não por acaso, os especialistas também preveem um 2023 decepcionante. Os mais pessimistas dizem que o país pode mergulhar na recessão. Entre os que ainda veem um horizonte melhor, o avanço da economia repetirá este ano: crescimento de 1%, no máximo.

Se nada mudar no atual cenário, de turbulências políticas e ameaças às instituições, o segundo semestre será pior do que o primeiro. Historicamente, eleições costumam adicionar pelo menos 0,5 ponto percentual no PIB. Neste ano, por todas as circunstâncias, de forte polarização e crises contínuas, a atividade não contará com esse aditivo. A estimativa é de que ocorra o contrário. A desconfiança deve elevar o dólar, com impacto na inflação e nos investimentos produtivos. Os empresários não pagarão para ver. Vão esperar os resultados das urnas para tirar da gaveta os projetos de expansão de seus negócios.

É de vital importância que os candidatos à Presidência da República aproveitem os debates característicos do período eleitoral para apresentarem suas propostas para o país, sobretudo, na economia. De nada adianta promessas vazias ante as necessidades da população. Quase 20 milhões de brasileiros estão na miséria. Mais de 30 milhões não ganham o suficiente nem para bancar as necessidades básicas. Metade dos lares enfrentam insegurança alimentar, pois a inflação está corroendo sem dó a renda das famílias. O futuro está mais nebuloso do que nunca.

Os candidatos que insistirem em discursos sem consistência devem ser limados do jogo sem dó pelos eleitores. A urgência pede comprometimento com o país. Será inaceitável que prevaleça o desastre que se viu nos últimos anos — na última década, a média de crescimento da economia foi de 0,3% ao ano. O Brasil merece uma nova chance.

 

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