Análise

Artigo: A ciência é uma luz para as mulheres

Em qualquer campo científico, há mulheres com brilho no olho. Pensando, refletindo, estudando, pesquisando, produzindo, alertando, reverberando ideias, resistindo, existindo sobretudo

Ana Dubeux
postado em 17/07/2022 06:00
Mulheres Cientistas. Júlia Vasques, biomédica e pesquisadora do Laboratório Sabin -  (crédito: Sabin/Divulgação)
Mulheres Cientistas. Júlia Vasques, biomédica e pesquisadora do Laboratório Sabin - (crédito: Sabin/Divulgação)

Acompanho com indignação e revolta, entre outros sentimentos difíceis de lidar, a trajetória de mulheres expropriadas do direito de ser mulher, em qualquer lugar, espaço de tempo ou posição social. Para onde olhamos, enxergamos a vulnerabilidade feminina. Não estamos seguras, é fato. Mas há uma direção que atrai o meu olhar de esperança: a ciência.

Em qualquer campo científico, há mulheres com brilho no olho. Pensando, refletindo, estudando, pesquisando, produzindo, alertando, reverberando ideias, resistindo, existindo sobretudo — além das limitações impostas pelo patriarcado e o machismo, muito embora não estejam a salvo deles.

Essas mulheres que praticam a ciência no dia a dia, em qualquer campo e independentemente da área de estudo, nos conduzem a lugares diferentes e a horizontes maiores. Elas nos levam também à reflexão sobre alta liderança. Sobre a ocupação sólida, consistente e crescente de espaços de poder.

Conheci uma iniciativa incrível, liderada pela principal gestora do Butantan, Cíntia Lucci. Economista com especialização em neurociência, ela e as gestoras de diferentes áreas do Instituto deram início ao projeto "Mulheres na Alta Gestão do Butantan", que propõe ações voltadas para aumentar a participação feminina em cargos elevados e de liderança dentro da instituição.

Um dos objetivos do grupo é "combater os vieses cognitivos e pensamentos adquiridos que perpetuam a ilusão de que os homens são mais capazes que as mulheres no ambiente empresarial". Além disso, trabalhar por equidade no Instituto, onde apenas um quarto dos gestores são mulheres.

O grupo convida mulheres de destaque de outras empresas e áreas de atuação para ampliar as discussões e as reflexões que fazem sobre o dia a dia, especialmente nos assuntos pautados pela diferença de gênero. O site do projeto (mulheresaltagestao.butantan.gov.br) é aberto, para inspirar outras empresas e mulheres a levantarem a discussão em seus ambientes de trabalho. O projeto está alinhado com os preceitos do Women on Board, movimento global apoiado pela ONU Mulheres.

Cíntia e as demais gestoras do Butantan não estão sozinhas. A ciência tem destacado incontáveis exemplos de mulheres que lutam para aumentar a participação feminina nos espaços de poder, porque esta é uma possibilidade real de transformação de corporações tóxicas e machistas em ambientes saudáveis para as mulheres crescerem e se desenvolverem profissionalmente.

Queria iniciar uma nova semana, falando de um Brasil que ainda nos orgulha — e ele é feminino. Esse Brasil revolucionário nasce com a ciência, a educação e a luta por equidade de gêneros. Nosso potencial é grandioso e quem está à frente, nos espaços de poder, deve olhar para as jovens e brigar ao lado delas e por elas. Precisamos de um futuro mais promissor para as mulheres.

 

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