EDITORIAL

Visão do Correio: Que Brasil queremos?

Eis uma indagação recorrente que reverbera com mais amplitude e desafia a sociedade a cada eleição no país

Eis uma indagação recorrente que reverbera com mais amplitude e desafia a sociedade a cada eleição no país. Por uma série de motivos alheios à vontade da maioria da população, enfrenta-se problemas estruturais que comprometem a qualidade de vida e estão longe de serem superados. Neste quadro atual, destacam-se a fome de 33,1 milhões de brasileiros, o desemprego, as crises na saúde, na educação e na segurança pública. Mais: ausência de políticas públicas para a preservação do patrimônio ambiental, ameaças às populações originárias e tradicionais, profundas desigualdades sociais e econômicas, injustiça fiscal, entre outras iniquidades que se colocam como obstáculos ao desenvolvimento nacional.

A partir de 1985, com o fim do regime de exceção imposto pelos militares, a redemocratização garantiu aos brasileiros o direito de, a cada quatro anos, apontarem o rumo a ser seguido pelo Brasil. Amanhã, os mais de 156 milhões de eleitores decidirão a trajetória da nação para os próximos quatro anos. A futura rota, a partir de primeiro de janeiro de 2023, dependerá dos que foram os escolhidos para os cargos de presidente da República, governadores, senadores (um terço), deputados federais, estaduais e distritais.

Neste ano, a violência — assassinatos, agressões físicas e políticas —, motivada por divergências ideológicas, ganhou expressivos contornos. Fez pairar sobre os cidadãos uma densa e obscura nuvem de medo e insegurança. Não à toa, a Justiça Eleitoral proibiu o transporte de armas de fogo por CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) nas 24 horas que antecedem e precedem o pleito deste domingo — antes, havia vetado o uso de armas por civis no perímetro de 100 metros das zonas eleitorais. A regra só não vale para policiais civis e militares destacados para a segurança dos espaços de votação.

O regime democrático é incompatível com conflitos que ameaçam a liberdade e a vida das pessoas por razões ideológicas. Pelo contrário, trata-se de disputa pacífica de ideias e propostas, cuja vitória depende da escolha livre da maioria da sociedade. As várias opções colocadas aos eleitores contemplam a diversidade étnico-racial, de gêneros, cultural, religiosa e partidária que dão contorno ao perfil da brasilidade.

Respeito às diferentes opiniões e escolhas revelam o grau de civilidade de uma nação. Coação e intimidação são atitudes incompatíveis com os ditames constitucionais, vigentes desde 1988. A Carta Magna derrotou o primitivismo e a truculência típicos das ditaduras de Estado. O pleito conta com as urnas eletrônicas, blindadas contra fraudes e intervenções espúrias. Delas saem resultados que expressam, de forma fidedigna, a vontade da parcela majoritária da sociedade brasileira.

Não é uma escolha fácil em meio às várias forças políticas existentes no país, próprias de uma democracia, que busca ser madura, sem ódio e descontaminada de resquícios totalitários. Exige de todos os votantes responsabilidade e patriotismo. Eventuais provocações dos que tentam, por meio da violência, fazer prevalecer a sua vontade, devem ser rechaçadas com a indiferença. Tranquilidade e paz são necessárias para responder a questão "Que Brasil queremos?".

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