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Mais acesso e mais direitos: os impactos do primeiro mês de tarifa zero no Distrito Federal

Com a Tarifa Zero, aos domingos e feriados, o número de acessos ao transporte público vem crescendo cada vez mais

MAX MACIEL CAVALCANTI, deputado distrital pelo PSol (DF)

Após mais de 20 anos de luta do Movimento Passe Livre, em conjunto com outros movimentos sociais populares e estudantis, finalmente estamos vivendo um momento histórico para a mobilidade urbana no DF: agora, temos transporte público gratuito aos domingos e feriados. 

O programa de tarifa zero "Vai  de Graça", que foi recentemente implementado pelo Governo do Distrito Federal, está evidenciando o que os movimentos sociais e parlamentares falaram diversas vezes: com tarifa zero, a população do DF está circulando mais pela capital.

De acordo com informações disponibilizadas pela Secretaria de Mobilidade (Semob), quando comparamos com informações de domingos anteriores à implementação do programa, houve em média um aumento de 47% no número de acessos ao transporte público nos domingos e feriados. Por exemplo, no domingo de carnaval, foram registrados cerca de 388 mil acessos, enquanto no domingo anterior, em que não havia gratuidade, o número de acessos foi de 278 mil. O maior aumento registrado foi de 59% no último domingo,  30 de março, ou seja, a cada final de semana estamos observando um crescimento gradativo no número de acessos ao sistema de transporte público.

Esses números representam o sucesso da política pública que ainda está no começo, e é importante ressaltar que existem diversos benefícios com a implementação da tarifa zero. Afinal, com ela as pessoas circulam mais pela cidade, indicando que o comércio local e espaços públicos destinados para o lazer estão mais movimentados, o que, por consequência, acaba contribuindo com a melhora da segurança pública. 

É importante ressaltar que essa política pública não caiu do céu nem pertence a atual gestão do GDF. Ela é fruto de décadas de mobilização do Movimento Passe Livre em conjunto com outros movimentos sociais e estudantis, além dos estudos e ações da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da Câmara Legislativa do Distrito Federal. A partir do momento em que assumimos a presidência da comissão, comprometemo-nos a estudar a tarifa zero a fundo, buscando formas de torná-la realidade, e, para isso, criamos a Subcomissão Tarifa Zero.

Para garantir que essa política pública se consolide, propusemos à Secretaria de Mobilidade (Semob) a criação de um comitê de avaliação para monitorar o programa "Vai de Graça" e entender o impacto da gratuidade, analisar a demanda e identificar o que pode ser melhorado. Queremos um sistema que funcione bem para todo mundo, com ônibus suficientes, rotas bem distribuídas e uma operação eficiente. 

Outro ponto importante desse processo é a necessidade de auditar o sistema de transporte público. Atualmente, cerca de 80% do transporte público são pagos pelo GDF, por meio da arrecadação dos nossos impostos, o que torna evidente que há recursos disponíveis para expandir a gratuidade sem comprometer o orçamento do Distrito Federal.  

Diversas experiências no Brasil e no mundo mostram que a tarifa zero é um modelo viável, desde que bem planejada e estruturada financeiramente. Mais de 136 cidades no Brasil adotaram o modelo, mas sua implementação exige estudo aprofundado sobre fontes de financiamento, impactos na qualidade do serviço e formas de gestão que garantam sua eficiência sem comprometer a sustentabilidade.  

É evidente que a tarifa zero veio para mudar a realidade do transporte público e mobilidade urbana no DF, e nós não podemos retroceder, só avançar. Por  isso, temos o dever histórico de continuar disputando a narrativa da tarifa zero que queremos, pela qual a prioridade é o povo, e não o enriquecimento dos grandes empresários, pois essa luta é, em sua essência, uma luta contra um sistema que insiste em segregar e negar direitos. A gratuidade do transporte é um passo fundamental para garantir que a cidade seja de todos e todas, não apenas de quem pode pagar.

Com o objetivo de aprofundar as questões abordadas nesse texto e debater essas e outras questões inerentes à tarifa zero, a CTMU vai realizar o Seminário Tarifa Zero no DF, na sala de comissões Pedro Duarte de Souza, que fica nas dependências da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em 25 de abril, a partir das 14h.  

 


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