ARTIGO

Um grande passo para a América Latina e o Caribe

Na 2ª edição do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, deixamos de lado os diagnósticos e as diferenças ideológicas para começarmos a construir soluções de médio e longo prazo para os principais problemas que nos afetam

» SERGIO DÍAZ-GRANADOS, Presidente executivo do CAF –banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe

Há apenas algumas semanas, o Panamá se tornou o epicentro de uma conversa crucial. Ali, realizamos a 2ª edição do Fórum Econômico Internacional da América Latina e do Caribe, organizado pelo CAF. Se eu tivesse que resumir o sentimento dos mais de 6.600 participantes, de 70 países, que estiveram no evento, diria que o que ocorreu foi algo de que a região necessitava havia várias décadas: deixamos de lado os diagnósticos e as diferenças ideológicas para começarmos a construir soluções de médio e longo prazo para os principais problemas que nos afetam.

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O resultado foi um sucesso que pode ser medido em números: oito chefes de Estado e de governo, 240 painelistas (incluindo quatro prêmios Nobel) e cerca de 50 sessões. Mas, sobretudo, mede-se pela qualidade dos diálogos que foram gerados. Não houve tema relevante que ficasse de fora: desde a reconfiguração geopolítica e a inteligência artificial até a inclusão social e a sustentabilidade ambiental, todos foram submetidos a uma análise profunda e franca.

Antes do encontro, destacávamos a necessidade de ir além do diagnóstico e priorizar projetos de impacto regional que transcendam ciclos políticos. E foi exatamente isso que começou a ganhar forma. Ministros da Economia mantiveram uma conversa a portas fechadas para examinar desafios compartilhados — um exercício simples, mas difícil de alcançar em fóruns multilaterais mais amplos. Empresários de Santiago, Lima, Cidade da Guatemala e Santo Domingo sentaram-se à mesma mesa para construir alianças. As mais de 1.100 reuniões programadas e as rodadas de negócios não apenas fecharam operações milionárias, como também plantaram a semente de projetos concretos que veremos no futuro.

Esse dinamismo confirmou algo que muitas vezes esquecemos: a força da integração em nossa região não vem apenas dos discursos oficiais, mas dos indivíduos. São os empreendedores, os acadêmicos, os líderes sociais e os cidadãos os verdadeiros protagonistas de um processo que é mais fluido e prático do que parece.

Ficou claro que não buscamos uniformidade de pensamento. A região é diversa em ideologias e realidades. O que construímos no Panamá foi uma visão estratégica compartilhada sobre os grandes eixos que nos unem. Falamos de corredores bioceânicos inteligentes, de uma agenda digital comum para garantir soberania de dados e de como transformar nossa potência em biodiversidade e energias renováveis em produtos verdes de alto valor agregado. Trata-se, em última análise, de liderar a transição para uma bioeconomia circular, e não apenas exportar matérias-primas.

Mas, também, enfrentamos nossas pendências. A desigualdade continua sendo nosso calcanhar de Aquiles. Por isso, o diálogo incluiu a necessidade de construir sistemas educacionais modernos, reduzir desigualdades de gênero e étnicas e formalizar o emprego. Um crescimento que não seja inclusivo, simplesmente, não é sustentável.

Nosso trabalho, a partir do banco de desenvolvimento da América Latina e do Caribe, vai além do financiamento. Parte do nosso DNA é criar esses espaços de diálogo e utilizar nosso poder de convocação para construir pontes. Sabemos que vivemos sobre um terreno fértil, onde boas ideias podem criar raízes fortes e prosperar.

Por tudo isso, o sucesso dessa segunda edição do Fórum é um impulso para seguir em frente. Já estamos trabalhando na convocação para o fim de janeiro de 2027, novamente no Panamá. O objetivo é contribuir com mais um grão de areia para construir uma região mais próspera, justa e sustentável. Uma região que, atuando de forma unida e demonstrando que faz parte da solução para os problemas globais, conseguirá finalmente sentar-se à mesa onde são tomadas as decisões do mundo. O encontro, que já se tornou um compromisso que vale a pena, está em andamento.

 

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