Pela primeira vez desde a sua formação institucional, em 1822, o Exército indica uma mulher para ocupar um posto de alto comando. Na última quarta-feira, a Força terrestre propôs a coronel médica Claudia Lima Gusmão Cacho para ingressar no generalato. A proposta enviada à Presidência da República é de que ela seja promovida a general de brigada a partir de 31 de março.
Claudia Lima Cacho nasceu em Pernambuco — estado de origem da primeira demonstração de uma força nacional no Brasil, em 1648, quando tropas formadas por brasileiros e portugueses venceram os invasores holandeses na Batalha de Guararapes. Em homenagem a esse episódio épico, a data de 19 de abril é considerada o Dia do Exército.
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Formada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, a militar é pediatra. Ingressou na carreira militar em 1996, em outro momento pioneiro na história da caserna — foi a partir dos anos 1990 que mulheres passaram a integrar as fileiras do Exército. Desde então, Claudia Cacho ocupou diversos cargos relevantes na área de saúde dentro da estrutura militar. Entre outras funções, atuou na direção do Hospital de Guarnição de Natal (RN) e do Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS). Mais recentemente, foi subdiretora do Hospital Central do Exército, primeira unidade militar de saúde do Rio de Janeiro, fundada em 1768.
Há, portanto, credenciais sólidas para justificar a entrada da candidata à elite da carreira militar. Ressalte-se que o nome de Claudia Cacho foi aprovado pelo Alto-Comando do Exército, em votação secreta. O escrutínio levou em conta critérios como tempo de serviço, mérito profissional, desempenho em funções de comando e Estado-Maior e realização dos cursos obrigatórios de altos estudos militares. A oficial cumpriu todos os requisitos. Caberá ao presidente da República, por meio de decreto, chancelar a proposição feita pela cúpula militar.
A ascensão de uma mulher em postos estratégicos é mais um passo importante da participação feminina nas Forças Armadas. Em um movimento permanente, tem-se visto, ao longo de décadas, a presença cada vez mais frequente de mulheres interessadas em vestir a farda. E a tendência é crescente. Amanhã, 1.467 mulheres serão incorporadas ao Serviço Militar Inicial Feminino em todo o Brasil. Na capital federal, a cerimônia será conduzida pelo ministro da Defesa, José Múcio. Elas prestarão serviço militar em 13 estados e no Distrito Federal. O novo contingente contará com 157 mulheres na Marinha; 1.010 no Exército; e 300 na Força Aérea.
Eis uma demonstração de que as Forças Armadas, historicamente uma instituição comandada por homens, mostram-se abertas para aceitar a valorosa contribuição de quem é maioria na população no país. Espera-se que outros espaços de poder, como o Judiciário e o Congresso Nacional, também abram as portas para a competência das brasileiras.
