Wellington Dias — ministro da Assistência e Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome; Rafael Osorio — secretário nacional da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único
O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, ou CadÚnico, completa 25 anos em 2026. Desde a sua criação, tornou-se a principal base de identificação da população de baixa renda no país. Hoje, 42,2 milhões de famílias — cerca de 96 milhões de brasileiras e brasileiros — estão nele registradas. Isso representa quase metade da população brasileira, um retrato fiel da diversidade e das desigualdades do nosso país.
Criado em 2001 como um formulário para beneficiários de todos os programas federais de transferência de renda, o Cadastro Único ganhou escala a partir de 2003, com a criação do Programa Bolsa Família. Até então, cada programa mantinha o próprio registro de beneficiários. A unificação reduziu sobreposições e inconsistências, como resultado atualmente temos uma base de dados robusta e atualizada periodicamente.
A partir de 2005, o governo federal junto com os estados e os municípios iniciaram um processo contínuo de qualificação dos dados que compõem o cadastro. O trabalho é coordenado no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (Suas). Cada ente tem papel definido: municípios coletam informações, estados apoiam a gestão local, e a União coordena, normatiza, supervisiona e ajuda a financiar. Esse modelo descentralizado garante a qualidade e maior precisão dos dados.
Com base nesses dados, 46 programas federais selecionam seus beneficiários. Entre eles, estão o Programa Bolsa Família, o Benefício da Prestação Continuada (BPC), o Pé-de-Meia — poupança de incentivo financeiro-educacional para alunos do ensino médio —, a Tarifa Social de Energia Elétrica, o Gás do Povo e o Minha Casa, Minha Vida. Estados e municípios também usam o Cadastro Único para as próprias políticas públicas.
O CadÚnico reduz fraudes, melhora o planejamento e garante que os recursos cheguem a quem mais precisa. As informações coletadas incluem renda, moradia, escolaridade e acesso a serviços básicos, entre outras. Em 2025, o novo sistema de Cadastro Único ampliou sua capacidade de buscar dados em outras bases do governo federal. Isso permite acompanhar mudanças na vida das famílias com mais rapidez.
O lema do Cadastro Único é "Conhecer para Incluir". Sem informação sobre os mais vulneráveis, o Estado atua no escuro. Com essa informação, é possível direcionar políticas para os públicos mais vulneráveis e as regiões com maior desigualdade.
Por sua escala e êxito, o Cadastro Único enfrenta também desafios: a ampliação do financiamento da rede do Suas, onde ocorre o atendimento à população; a garantia da cobertura em áreas remotas, como comunidades ribeirinhas e territórios rurais de difícil acesso; e a democratização dos avanços tecnológicos, que precisam chegar a todas as famílias de baixa renda, sem exclusão digital.
É por isso que nosso maior compromisso é levar o máximo de famílias para a classe média. Essa é a forma mais segura de garantir que o Brasil nunca mais volte ao Mapa da Fome. Queremos aproveitar a atual retomada econômica para criar as condições estruturais de ascensão social. O Cadastro Único é a ferramenta que permite identificar quem está pronto para dar esse salto — por exemplo, famílias cujos jovens concluíram o ensino médio e precisam de um primeiro emprego, ou microempreendedores informais que podem acessar linhas de crédito orientado, por meio do Acredita.
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Neste mês de abril, os 25 anos do Cadastro Único serão marcados por atividades comemorativas em todo o país. No dia 15, uma cerimônia no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, reunirá gestores municipais, estaduais e federais. A data celebra uma rede de cooperação que conecta políticas públicas às famílias que delas necessitam. Sem esse elo, a redução da pobreza não ocorre na escala necessária.
A verdadeira celebração do Cadastro Único acontece todos os dias nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), nas comunidades ribeirinhas e nas periferias, onde ele promove o acesso a direitos. Conhecer para Incluir não é apenas um lema, é um método de construir justiça social.
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