ARTIGO

Pioneiros que fizeram e ainda fazem Brasília

Pioneirismo representa quem primeiro explora uma região, um desbravador que prepara terrenos, colonizador. Nosso primeiro pioneiro foi Juscelino Kubitschek

José Natal jornalista 

Vem aí, com sinais de efusivas, homenagens e comemorações, mais um aniversário de Brasília, agora completando seus 66 anos de idade, radiante e imponente como uma capital da República tem que ser. O 21 de abril deste ano, além de um atestado a mais de maturidade e independência, acontecerá na largada das corridas eleitorais, expondo ao país nomes e partidos para que o eleitor escolha o que achar melhor, e lhe convenha. É saudável e prazeroso testemunhar mais uma data festiva que celebra mais um ano de vida desta cidade, exemplo de modernidade, muitas vezes copiada mundo afora como a história já registrou. Obra fruto de pioneiros, muitos daqui, outros de outros lugares.

A legião de pioneiros que se arvoram e se anunciam integrantes do grupo fundador de Brasília, dia após dia, ganha novos componentes. Alguns são renitentes, insistentes talvez. Reivindicam o título mesmo cientes de que, quando por aqui chegaram, a capital já respirava o ar de montanhas, ruas e avenidas prontas e alinhadas, e os Poderes públicos instalados, tocando a vida como tinha que ser. Nada contra esse desejo manifesto. Alguns por vaidade, outros simplesmente por ignorar o que, de fato, significa pioneirismo.

Pioneirismo representa quem primeiro explora uma região, um desbravador que prepara terrenos, colonizador. Nosso primeiro pioneiro foi Juscelino Kubitschek, que, em 1960, entregou a cidade ao país e, de lá pra cá, a história se fez. Esculpido nas pranchetas de trabalho de Oscar Niemeyer e das mãos cuidadosas de Lucio Costa, o corpo do projeto ganhou alma e o plano piloto da metrópole começou a respirar. Alimentando esse corpo, cortando matas, fazendo estradas e erguendo prédios, o engenheiro goiano Bernardo Sayão fincou estacas onde havia espaço no chão do Cerrado. A cidade anoitecia envolvida em poeira e, de manhã, era um Sol radiante mostrando um cenário novo e promissor. 

De origem libanesa, mas com alma sintonizada com o Brasil, o engenheiro Gilberto Salomão chegou por aqui em 1959 e nunca mais arredou pé. Visionário, investiu na construção civil e edificou moradias em diversos pontos do Lago Sul, região nobre da cidade. Nesse mesmo Lago Sul, o empresário construiu o Centro Comercial que leva seu nome, desde aquela época um ponto de encontro obrigatório daqueles que vivem o dia a dia da cidade. Apaixonado pela capital, aos 94 anos, Gilberto ainda curte seus encantos.

Mineiro de Carmo do Paranaíba, Hely Walter Couto pisou nas terras candangas, em áreas do Núcleo Bandeirantes. E foi lá que inaugurou a Pioneira da Borracha, referência comercial para milhares de construtores da cidade. Hoje, com 100 anos de idade, mantém o bom humor e boas lembranças de seu pioneirismo. 

Aqui mesmo, nas páginas deste Correio sessentão, que a tudo assistia e de pronto registrava, muitos escribas da época de caneta e papel na mão apontavam, com fatos e fotos, o dia a dia da cidade que surgia, uma fantástica e avançada construção. O jornal era a mais viva testemunha ocular da história, vivenciando uma realidade em preto e branco, sem filtros e sem firulas, que por certo o futuro há de contar. 

Pontas de lança dessa jornada, pioneiros de quatro costados, Edilson Cid Varela e José de Arimatheia Gomes Cunha (Ari Cunha), que já nos deixaram, estão, com certeza, na primeira fila entre aqueles que primeiro deram um atestado de credibilidade à consolidação desta cidade e de sua comunidade. Hoje como a oitava economia do país, com um PIB girando em torno de R$ 365,7 bilhões, a cidade é impulsionada pelo setor de serviços públicos e comércio. 

O empresariado local é forte e consolidado. Exemplo para inúmeras outras cidades brasileiras. No dia 14 de março, por exemplo, a Paulo Octávio Investimentos Imobiliários celebrou com grande festividade seus 50 anos de atuação no mercado de Brasília, feito inédito registrado. Desde 1975, 55 mil unidades residenciais foram edificadas pela empresa, abrigadas em 850 mil unidades residenciais, ocupando 6 milhões de metros quadrados de construção. Além da construção civil, o braço da empresa se estende a investimentos em hotelaria, shoppings, revenda de automóveis, emissoras de rádio e TV e seguradoras, empregando 43 mil funcionários, contratados e terceirizados. Mineiro, nascido na cidade de Lavras, e em Brasília desde de julho de 1962, quando aqui chegou aos 12 de anos de idade, Paulo Octávio está na galeria nobre dos pioneiros que ajudou, e ainda ajuda, a consolidar a capital da República. 

Habituada a conviver com momentos de tensão política, e com relativa frequência de movimentos que repercutem em todo o país, aos 66 anos, Brasília se mostra estruturada e esbanja sinais de profissionalismo maduro. Confiante.

 

 

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