ARTIGO

Sindicato é o espaço para enfrentamento ao assédio eleitoral

Em um cenário de intensificação das tensões políticas e sociais, torna-se ainda mais evidente que a defesa da liberdade de escolha dos trabalhadores não pode prescindir de uma atuação sindical forte

Alberto Emiliano de Oliveira Neto procurador regional do trabalho, coordenador nacional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical e do Diálogo Social (Conalis); Cristina Gerhardt Benedetti e Larissa Menine Alfaroprocuradoras do trabalho e, respectivamente, vice-coordenadora nacional e vice-coordenadora nacional adjunta da Conalis

 

O assédio eleitoral nas relações de trabalho representa uma grave violação de direitos fundamentais. Trata-se de prática que busca constranger, coagir ou induzir o trabalhador a adotar determinada posição política, comprometendo a liberdade de consciência, de expressão e, sobretudo, o direito ao voto livre e secreto. No ambiente laboral, essa conduta assume contornos ainda mais graves em razão da assimetria de poder entre empregador e empregado, o que potencializa o impacto das pressões exercidas.

A Campanha Maio Lilás de 2026 do Ministério Público do Trabalho (MPT) reafirma o papel essencial dos sindicatos como protagonistas no enfrentamento ao assédio eleitoral no mundo do trabalho. Em um cenário de intensificação das tensões políticas e sociais, torna-se ainda mais evidente que a defesa da liberdade de escolha das trabalhadoras e dos trabalhadores não pode prescindir de uma atuação sindical forte, organizada e comprometida com os valores democráticos.

É importante enfatizar que a escolha política é um direito individual, garantido pela democracia. O local de trabalho não pode ser utilizado como espaço de coerção ou influência indevida. Quando isso acontece, não apenas o trabalhador é prejudicado, mas também o próprio ambiente laboral, que se torna mais tenso, inseguro e desigual.

É nesse contexto que o sindicato se revela como instrumento indispensável de resistência e proteção. Ao representar coletivamente os trabalhadores, a entidade sindical atua como barreira institucional contra abusos, garantindo voz, acolhimento e orientação àqueles que se veem ameaçados em sua liberdade política. Mais do que isso, o sindicato é espaço de construção de consciência crítica, de fortalecimento da cidadania e de promoção do debate democrático.

A atuação sindical no enfrentamento ao assédio eleitoral se dá em múltiplas frentes. Na base, por meio da escuta ativa e do recebimento de denúncias. No plano institucional, mediante articulação com o Ministério Público do Trabalho e outros órgãos de controle, visando responsabilizar infratores. E, sobretudo, no campo da negociação coletiva, ao buscar inserir cláusulas que vedem expressamente práticas de assédio eleitoral e estabeleçam mecanismos de prevenção e proteção aos trabalhadores.

Além disso, os sindicatos exercem papel pedagógico fundamental ao promover campanhas de conscientização, formação política e divulgação de direitos. São eles que estão mais próximos dos trabalhadores, atuando na escuta, no acolhimento e no recebimento de denúncias. Ao informar os trabalhadores sobre a ilegalidade do assédio eleitoral e os canais disponíveis para denúncia, contribuem para romper o silêncio e a naturalização dessas práticas.

Já o MPT é a instituição responsável por receber as denúncias de assédio eleitoral, investigá-las e adotar medidas para interromper práticas ilegais. Quando confirmadas violações, o órgão pode buscar a responsabilização dos envolvidos e a reparação coletiva dos danos causados, contribuindo para a construção de ambientes de trabalho mais justos e respeitosos.

A Campanha Maio Lilás deste ano, ao destacar o tema do assédio eleitoral, reforça que a democracia também se constrói no ambiente de trabalho. E que a liberdade sindical não é apenas um direito, mas uma condição para a efetivação de todos os demais direitos coletivos e individuais dos trabalhadores.

Para amplificar o alcance da campanha, o MPT promoverá, no âmbito do Maio Lilás, uma série de audiências públicas em Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Salvador e Manaus. O objetivo é dialogar com entidades sindicais e com a sociedade sobre o papel dos sindicatos na defesa da democracia e, principalmente, sobre a importância de garantir um ambiente de trabalho livre de assédio eleitoral.

Fortalecer os sindicatos é, portanto, fortalecer a democracia. É garantir que nenhum trabalhador seja constrangido em suas escolhas políticas. É assegurar que o ambiente de trabalho seja espaço de respeito, dignidade e liberdade. No enfrentamento ao assédio eleitoral, o sindicato não é apenas um ator, é protagonista.

 

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