ARTIGO

Personalidade cultural

É mais do que justo que Gilberto Gil, um dos nomes de maior representatividade da cultura do país, tenha recebido o prêmio Personalidade do Ano na 23ª edição do Prêmio Faz a Diferença

Gilberto Gil é o artista mais focalizado nos textos que tenho escrito neste  espaço. Obviamente, o mérito por isso é todo dele, pois trata-se de um dos nomes de maior relevância da música popular brasileira.

Isso desde que surgiu nesse espectro da cultura do país, ao participar do Nós por exemplo, espetáculo que, em 22 de agosto de 1964, inaugurou o Teatro Vila Velha, na região central de Salvador. No musical, ele tinha a companhia de outros futuros monstros sagrados da MPB:  Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé.

Admirados pelos baianos, eles só viriam a ser reverenciados por brasileiros de outras regiões do país anos depois, ao participarem do Festival da Record.  Desde então acompanho, a trajetória de Gil, mas só vim aplaudí-lo ao vivo quando, em 1975, ele apresentou no ginásio de esportes do Colégio Marista, na 609 Sul, o show Refazenda.

Naquela época, vivíamos sob o jugo soturno e truculento da ditadura militar. Ao cantar Não chore mais, versão de No woman no cry, reggae do jamaicano Bob Marley, Gil foi acompanhado por um coro de 5 mil vozes.       

Voltei a reverenciá-lo em várias oportunidades e diferentes locais aqui na cidade. A mais recente foi em 7 de junho de 2025, quando o cantor e compositor baiano reuniu mais de 10 mil pessoas na Arena Mané Garrincha com o show da turnê Tempo Rei. 

Faço esse preâmbulo para saudar esse imortal da Academia Brasileira de Letras que, recentemente, recebeu o prêmio Personalidade do Ano na 23ª edição do Prêmio Faz a Diferença, promoção do jornal O Globo, por sua longeva trajetória dedicada à cultura do país. Contribuiu também para o recebimento do galardão, de acordo com o júri, a longa turnê do show Tempo Rei, que percorreu o país. 

Modesto, ao receber o prêmio, Gil comentou: "Não ambiciono nada mais. Já tenho o suficiente: poder tocar minha guitarra, poder projetar minha voz, que é uma voz já mais velha, mais cansada, mas ainda uma voz entusiasmada, com a qual homenageio Preta Gil, minha filha, minha menina".

Mais do que justa essa reverência a um dos nomes de maior representatividade da cultura do país. Esse intelectual brasileiro  exerceu o cargo de Ministro da Cultura entre 2003 e 2008, no primeiro mandato do presidente Lula. No exercício da função, um dos destaques de sua atuação foi a implementação dos pontos de cultura visando ao fomento à diversidade artística no país. 

Morando em Brasília, à época lançou o livro Todas as letras, organizado por Carlos Rennó, que, em mais de 900 páginas, reúne letras de canções e fotos. Aqui também participou do projeto Sempre um papo, parceria da Caixa Econômica e do Correio Braziliense. Convidado por ele, estive em seu gabinete, na Esplanada dos Ministérios, onde conversamos por meia hora.

Para celebrar 60 anos de carreira, em 2025, Gil empreendeu uma longa turnê por várias regiões do país, entre 16 de março a 18 de outubro de 2025. O show de encerramento foi realizado na arena Allianz Parque, em São Paulo, tendo Roberto Carlos como convidado especial. 

Detentor de vasta discografia, Gil gravou,  recentemente, o clássico A paz, parceria dele e João Donato, para uma coletânea com músicas compostas pelo compositor acreano, que o selo do Sesc lança em breve. Taí um aí para ser  ouvido  por quem tem bom gosto musical.

 

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