Por Tharsila Prates — Foi a maior Copa do Mundo de todos os tempos, com 48 seleções participantes. Se foi a melhor, pode haver controvérsias, mas, sem dúvida, apresentou momentos inesquecíveis, como a despedida de craques, a descoberta de talentos no gramado e de fofuras nas arquibancadas.
Vão ficar na memória, também, as atitudes. A Copa mostrou que ter garra faz um time, como o da Argentina, que tem uma certa messidependência, chegar à final. A paixão pela camisa, o foco e o compromisso com o torcedor superaram os adversários. Fez o argentino explodir de orgulho, mesmo após o vice-campeonato.
A Copa mostrou, ainda, que uma distante e fria Noruega pode derrubar o único pentacampeão mundial. Mostrou que um Erling Haaland, do alto dos seus quase 2 metros, atende a crianças e a fãs de todas as idades, com um sorriso que encanta. Ao voltar para casa, mereceu a famosa remada viking, mesmo sem ter ido adiante na competição.
O mesmo Haaland, ao despachar o Brasil, do alto da sua humildade, tem diplomacia suficiente para elogiar a Seleção, de quem é um fã. Na morte de Pelé, foi à rede social escrever o seguinte: "Tudo o que você vê qualquer jogador fazendo, Pelé fez primeiro. Descanse em paz". É preciso fazer gols, sim. E ser gentil também. Adorável.
E o que dizer dos japoneses? Apesar da frustração, as falas de jogadores e técnico, após a eliminação, exaltaram o aprendizado em 2026. O zagueiro Ko Itakura, por exemplo, disse que a campanha da seleção japonesa representa mais um passo no crescimento do futebol do país. "Isso (a derrota) também faz parte do nosso processo de evolução. Acredito que estamos construindo um caminho para que a seleção japonesa continue crescendo e fique cada vez mais forte". Tendo consciência de que fizeram o que estava ao alcance, reconhecer que precisam melhorar é sinal de maturidade.
A grande campeã, Espanha, foi coroada pelo jogo coletivo, pelo investimento no futebol de base e pelo conhecimento longevo que o técnico tinha dos seus comandados, o que possibilitou constância, disciplina, posse de bola e efetividade em todas as áreas do campo. São pontos a serem anotados pelas demais equipes.
No discurso, o nosso técnico Carlo Ancelotti disse algo que vale para a vida. "Não existe 'não cometer erros', mas você precisa superá-los e seguir em frente. Foi o que a equipe fez", filosofou ele, depois dos 2x1 contra o Japão. Já com relação à derrota para a Noruega, o técnico reconheceu que a dor era grande, mas que vai continuar trabalhando. "Acho que merecíamos ganhar o jogo. Mas, quando você passa por um momento assim, tem que pensar que a derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que continuar melhorando, encontrar novas ideias. Não é o fim, é o início de um novo ciclo".
Pensando na postura ideal diante de situações graves, quaisquer que sejam elas, fica difícil discordar dele. Para a nossa Seleção, no entanto, faltaram prática, garra, humildade, evolução e coletivo. Fiquemos ligados que, sem tudo isso, ficaremos para trás, também, em nosso mundinho particular.
