Mais de 150 milhões de brasileiros estão habilitados a ir às urnas neste domingo. A eleição deste ano representa a maior oportunidade para o cidadão escolher novos ocupantes de cargos eletivos ou confirmar aqueles que já exercem uma função no Executivo ou no Legislativo. Por meio da urna eletrônica, será possível conceder ou renovar o mandato a um deputado distrital ou estadual; um deputado federal; dois senadores; um governador e um presidente da República. É a maior contribuição possível da sociedade para que a classe política se empenhe em solucionar os amplos e graves problemas da realidade brasileira.
A oportunidade de poder modificar profundamente o perfil de dois Poderes da República é que confere responsabilidade ainda maior ao eleitor. Neste momento, presume-se que ele coloque, nos dois pratos da balança do voto, os fatores que podem definir a escolha de um candidato. De um lado, as propostas locais ou voltadas para grupos específicos, como idosos e crianças, além de categorias profissionais, como policiais militares e professores. De outro, as ideias para temas amplos ou mais genéricos, alguns quase abstratos: educação, saúde, segurança pública, soberania, harmonia entre os Poderes da República. Há muita coisa em jogo no momento de apertar o botão verde da urna eletrônica.
Infelizmente, a dinâmica do processo eleitoral tem desafiado o eleitor a formular um juízo sobre os postulantes. Por uma série de circunstâncias, a disputa política no Brasil tem se tornado complexa, sem necessariamente significar melhor. Basta constatar que, na corrida presidencial, os dois candidatos mais competitivos não tiveram um embate de ideias em nenhum momento. Ao longo da campanha, falaram apenas para convertidos. Debate é a essência da democracia, mas está prejudicado por lógicas eleitorais pautadas por algoritmos e outros fatores da vida digital.
Independentemente ou apesar da confusão que acompanha a campanha eleitoral, o país vai às urnas hoje para escolher aqueles que terão o dever de se debruçar sobre as graves questões que desafiam a sociedade brasileira. Todo eleitor sabe os problemas que precisam ser enfrentados em sua localidade - no Distrito Federal, por exemplo, como ficará o BRB? O que será feito para melhorar o transporte público e a saúde da população?
No plano nacional, é urgente enfrentar com seriedade a crise fiscal, uma das principais causas para a insuportável taxa de juros que contamina a economia nacional. Há ainda temas relevantes que precisam ser definidos, como o fim da escala 6x1, a preparação para a reforma tributária e as consequências da proibição das bets. Está pendente, ainda, um pacto necessário em favor da estabilidade institucional, fortemente atingida pela disfuncionalidade na relação entre os Poderes da República. A prática do vale-tudo jurídico-político, que alcançou níveis espantosos nas últimas semanas, precisa cessar. Do contrário, a democracia brasileira emergirá, em 2026, com feridas que demandarão tempo para sarar.
Neste domingo, o Brasil define suas opções políticas, em um momento crucial de nossa história. Do voto emergirá um país no qual os eleitos terão o dever de trabalhar em favor do interesse público, da democracia e da legalidade. Há muito a se fazer, há muito a melhorar. Que o país saia melhor das urnas.
