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Etanol: Trump ameaça retaliar Brasil

Rosana Hessel
postado em 11/08/2020 22:57
 (foto: Brendan Smialowski/AFP)
(foto: Brendan Smialowski/AFP)


Às vésperas da reunião da Comissão de Comércio Exterior (Camex), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retaliação ao Brasil se houver aumento de tarifa sobre o etanol dos EUA. A declaração colocou o presidente Jair Bolsonaro em mais uma saia justa, principalmente, com seus aliados do Centrão que integram a bancada ruralista e são contra o benefício.

Trump defendeu igualidade tarifária e sinalizou que poderá tributar o etanol brasileiro em breve. “No que diz respeito ao Brasil, se eles impõem tarifas, nós temos de ter uma equalização de tarifas. Vamos apresentar algo sobre tarifas e justiça, porque muitos países têm nos cobrado tarifas e nós não cobramos deles. É chamado reciprocidade. Você pode esperar algo sobre isso muito em breve”, disse o norte-americano, na segunda-feira à noite. Procurados, o Ministério da Economia e o Ministério das Relações Exteriores não comentaram o assunto.

Atualmente, o Brasil aplica alíquota zero do Imposto de Importação de 20% sobre o etanol de milho dos EUA para um limite de 750 milhões, desde agosto de 2019, com expectativa de contrapartida. Entre 2017 e 2019, a cota era de 600 milhões de litros. O prazo para a manutenção dessa cota vence no fim mês. Até lá, o governo brasileiro precisa decidir se mantém a cota ou amplia. Se não fizer nada, a isenção acaba, e todo o produto que entrar no país vai pagar os 20% de imposto.

O pedido dos EUA para a ampliação da cota de isenção foi retirado da pauta da reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), que começa hoje, segundo fontes.

O sistema de cotas é criticado por produtores do Nordeste, mas tem ajudado no abastecimento do mercado do Centro-Sul do país durante a entressafra, lembrou o analista Wagner Parente, CEO da BMJ Consultores Associados.

Segundo ele, se Bolsonaro tentar agradar aos EUA, vai criar um mal-estar no Centrão, porque os líderes do bloco são representantes do setor sucroalcooleiro do Nordeste. “A pressão de parlamentares do Nordeste para que o governo acabe com a cota para etanol dos EUA deve aumentar”, disse.

 

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