Dossiê contra "antifas" chega à comissão

Sarah Teófilo
postado em 12/08/2020 06:00


O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, encaminhou ontem, ao Congresso Nacional, o dossiê que investigou 579 servidores da área de segurança pública e professores que se opõem ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Eles foram identificados como integrantes de um suposto “movimento antifascista” (antifas). O documento foi produzido pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi) do ministério.

O relatório, de mais de 400 páginas, foi entregue em um CD à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI). Por enquanto, apenas o presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MS), tem acesso ao conteúdo, pois é preciso de uma senha para abri-lo. O código foi disponibilizado mediante a assinatura de um termo de confidencialidade. O parlamentar disse que ainda não abriu o documento.

Trad, que integra a comitiva brasileira que levará ajuda humanitária ao Líbano, na próxima quarta-feira, disse que se reunirá, na próxima semana, com os integrantes da comissão — composta por seis senadores e seis deputados, entre eles o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). De acordo com o senador, os integrantes da comissão que manifestarem interesse em acessar o relatório terão que assinar também um termo de confidencialidade.

O Ministério da Justiça informou, em nota, que encaminhou à comissão as “informações e documentos necessários para a realização da atividade de controle e fiscalização externos da atividade de inteligência”. A pasta disse ainda solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar o vazamento de informações e conteúdos do documento.

A existência do dossiê foi revelada pelo portal UOL. De acordo com o senador, o documento não foi solicitado ao ministro, e ele se dispôs a encaminhá-lo após audiência fechada na comissão, na última sexta-feira. Na ocasião, André Mendonça confirmou a existência do relatório –– algo que negara, quando do pedido de explicações cobrado pela ministra Cármem Lúcia, do Supremo Tribunal federal, tanto que se recusou a enviar os dados reunidos ––, mas não detalhou o conteúdo.

 

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