GOVERNO

Popularidade turbina campanha

Bolsonaro volta ao Nordeste para inaugurar termelétrica e age como candidato. Giro prossegue hoje, no MS, e há possibilidade de visitar o RN nesta semana

Ingrid Soares
postado em 17/08/2020 23:05 / atualizado em 17/08/2020 23:07
 (foto: Alan Santos/PR)
(foto: Alan Santos/PR)

Empolgado pela alta da popularidade demonstrada por recentes pesquisas de opinião, e em contínua ofensiva pelo eleitorado petista no nordeste, o presidente Jair Bolsonaro esteve, ontem, em Aracaju para inaugurar a Usina Termoelétrica Porto de Sergipe I em ritmo de campanha eleitoral. Ainda no aeroporto, fez questão de confraternizar com a massa ao subir nos ombros de um segurança para distribuir apertos de mão, colocou chapéu de vaqueiro, acenou, distribuiu sorrisos —e, claro, tirou a máscara protetora. Mas, mesmo agindo como candidato antecipado ao próprio cargo, afirmou não estar preocupado com a corrida de 2022.

“É outra história. Quero fazer um governo bom nesses quatro anos”, garantiu.

O presidente está disposto a surfar na popularidade que o auxílio emergencial de R$ 600 lhe tem proporcionado — tanto que, hoje, estará no Mato Grosso do Sul para a inauguração da Estação Radar de Corumbá e visitará o 9º Grupo de Artilharia de Campanha, em Nioaque; e nesta semana deve volçtar ao Nordeste, dessa vez ao Rio Grande do Norte. A pesquisa da XP/Ipespe, divulgada ontem, aponta que sua avaliação positiva subiu para 37%, mesmo percentual de aprovação registrado pela pesquisa do Datafolha, divulgada na última sexta-feira. É o maior patamar de aprovação já registrado desde o início do governo e, no mesmo período, o grupo que considera o governo ruim ou péssimo caiu de 45% para 37% (menor índice desde agosto de 2019).

Orçamento

Durante a inauguração da termelétrica, Bolsonaro salientou que o orçamento do país é “carimbado e comprometido com despesas obrigatórias”, implicando em menos recursos para investimentos e em uma “briga grande” entre os ministros pelas receitas.

“Nós sabemos que o nosso orçamento, em grande parte, é carimbado, é completamente comprometido com despesas obrigatórias. Sobra muito pouco e a briga é muito grande para que cada ministro consiga puxar um pouco desse orçamento para si para fazer alguma coisa”, justificou, referindo-se, sobretudo, ao conflito entre o ministro Paulo Guedes (Economia), que prega austeridade fiscal, e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), defensores do aumento de gastos.

O presidente apontou a iniciativa privada como parceira para a realização de projetos. “Uma grande aliada nossa nessas questões, principalmente com os recursos vindos de fora”, completou.

Bolsonaro também falou sobre a importância de um bom relacionamento entre os Poderes e governadores para o desenvolvimento do país. E disse que grande parte das obras de infraestrutura feitas no Brasil se devem ao Exército.

Para o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, não há dúvida de que Bolsonaro segue de olho nas eleições. Ele aponta que o presidente não desceu do palanque. “Não é que ele esteja antecipando as eleições de 2022. A lógica foi manter a campanha constante. Ele não encerrou a campanha de 2018 e a primeira atitude, depois de eleito, foi se colocar a favor da reeleição, quando, em campanha, disse que era contra. É provável que tenhamos uma situação inédita de um presidente que não governou, mas se manteve em campanha por quatro anos”, observou.

 

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