Lava-Jato Rio denuncia Alexandre Baldy por propinas e fraudes na Saúde

Segundo a Procuradoria, Baldy teria recebido R$ 2,5 milhões em propinas entre 2014 e 2018

Sarah Teófilo
postado em 18/08/2020 13:26 / atualizado em 18/08/2020 14:47
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
O Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da força-tarefa da Lava-Jato do Rio de Janeiro, denunciou o secretário licenciado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy, e outras 10 pessoas por corrupção, peculato, fraude a licitações e organização criminosa.
Baldy já foi ministro das Cidades no governo do ex-presidente Michel Temer e chegou a ser preso temporariamente no último dia 6. A denúncia é relativa à atuação do ex-ministro antes de assumir cargo no governo de São Paulo.

Entre os denunciados está também o primo de Baldy, Rodrigo Sérgio Dias, que já foi presidente da Funasa. Ele já foi presidente da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) e presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) no governo de Jair Bolsonaro. No ano passado, ele foi nomeado diretor administrativo e financeiro da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de São Paulo, com Baldy já no cargo de secretário de Transportes.

A investigação aponta envolvimento de ambos na intermediação da liberação de pagamentos para a organização social (OS) Pró-Saúde, que geria o Hospital de Urgência da Região Sudoeste (Hurso), em Goiás, entre 2010 e 2017. Com o atraso de pagamentos, Baldy e Rodrigo, segundo os investigadores, usaram da influência do secretário, que era Secretário de Comércio do Estado de Goiás, para que a OS recebesse os pagamentos.

Em troca, houve o pagamento de R$ 500 mil, negociado na casa de Baldy em Goiânia. Segundo investigação, ele teria requisitado o valor como caixa 2 de sua campanha a deputado federal, em 2014, e os valores foram pagos em dinheiro na capital de Goiás. A investigação também cita um pagamento de propina de R$ 900 mil ao ex-deputado federal, que teria relação com um contrato da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e R$ 250 mil para Rodrigo Dias, que já atuou no gabinete parlamentar na época em que Baldy era deputado federal.

A força-tarefa também identificou fraudes em licitações promovidas pela Junta Comercial de Goiás (Juceg) e pela Funasa por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo os investigadores, Baldy indicava aliados para o controle dos órgãos para que pudessem contratar a empresa, realizando o direcionamento de licitações mediante pagamento de propina.

Gravatas

O MPF apontou detalhes de supostas entregas de propina. Uma delas, segundo investigação, foi registrada em imagens que mostram o dinheiro em uma caixa de gravatas. O valor teria sido entregue, segundo o MPF, a Rodrigo, em outubro de 2018. Os procuradores citaram que a imagem merecia destaque porque "explicita de maneira indelével a desfaçatez das entregas de valores em espécie".

No dia da prisão de Baldy, a assessoria o ato de "desnecessário e exagerado", afirmando que ele "tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão".

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