PGR instaura procedimento para apurar supostos repasses da JBS para advogado da família Bolsonaro

Defensor teria recebido R$ 9 milhões da empresa de carnes e participado de reunião na PGR para tratar de interesses de executivos da companhia a pedido do presidente Jair Bolsonaro

Renato Souza
postado em 20/08/2020 17:06 / atualizado em 20/08/2020 22:09
 (foto:  Sergio LIMA / AFP)
(foto: Sergio LIMA / AFP)

A Procuradoria Geral da República (PGR) instaurou, nesta quinta-feira (20), notícia de fato para investigar eventuais repasses do frigorífico JBS para o advogado Frederick Wassef, que atua para a família do presidente Jair Bolsonaro. A procuradoria vai solicitar informações ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que, teria identificado transações suspeitas entre o defensor e a empresa de carnes por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com reportagem da revista "Crusoé", Wassef teria recebido R$ 9 milhões da JBS, entre 2015 e 2020. Uma outra reportagem aponta que o advogado teria sido recebido na PGR, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, para tratar da delação firmada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS.

Além disso, de acordo com a revista, o próprio presidente da República telefonou para o procurador, auxiliar de Augusto Aras, chefe do Ministério Público, que estava tratando do assunto. O encontro ocorreu em Brasília, no gabinete do subprocurador-geral José Adonis Callou de Araújo Sá, então coordenador da Lava-Jato na PGR.

Wassef, na ocasião, teria afirmando que seria uma "injustiça" anular o acordo de delação firmado pelos irmãos Batista, acusados de mentir para o Ministério Público durante depoimento. Caso o acordo seja rescindido, eles podem voltar para a cadeia. De acordo com a PGR, a notícia de fato vai apurarn "eventual irregularidade poderá reforçar os indícios de omissão nos acordos de colaboração premiada dos executivos da companhia". A decisão pela rescisão ou não dos acordos é do Supremo Tribunal Federal (STF).


Nota JBS 

A JBS esclarece que o escritório de advocacia mencionado não representa nem se manifesta em nome da Companhia junto à PGR.

A empresa informa que os serviços prestados pelo escritório tiveram como finalidade atuação em inquéritos na esfera policial e que esses serviços foram prestados e pagos mediante emissão de notas fiscais, sendo a última referente ao ano de 2019. Os valores e detalhes do contrato são protegidos por sigilo legal.

A Companhia mantém um processo de auditoria de fornecedores, os quais são submetidos a due diligence e à aprovação da área de Compliance, o que também se aplica ao caso em questão. Esse processo realizou, ao longo do ano passado, 9.486 análises de forma independente e sistêmica e os casos não conformes foram bloqueados.”

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