Alexandre Garcia: "Campanha contra cloroquina foi cruel e houve censura"

"A palavra hidroxicloroquina foi tabu na mídia; foi boicotada, proibida e a cada momento raro em que era pronunciada, vinha com uma tarja preta"

Alexandre Garcia
postado em 26/08/2020 06:00 / atualizado em 26/08/2020 08:34
 (foto: Redes sociais)
(foto: Redes sociais)

Nesta semana, convergiram ao Palácio do Planalto 100 médicos de todos os estados, representando um grupo de mais de 10 mil médicos, chamado Brasil Vencendo a Covid-19. Foram confirmar ao presidente da República que o protocolo de tratamento precoce com hidroxicloroquina e outros medicamentos salva vidas. A médica paraense Luciana Cruz relatou o colapso em Belém, quando as pessoas morriam na porta dos hospitais por falta de vagas. A partir do uso emergencial do protocolo sugerido pelo médico Roberto Zeballos, os resultados foram surpreendentes. A Unimed de lá fez 55 mil tratamentos com hidroxicloroquina, e nenhum caso de arritmia foi registrado.


Derrubou-se uma narrativa e as internações despencaram. A cloroquina é usada há 90 anos. No mundo, 220 milhões de pessoas são tratadas com hidroxicloroquina para a malária, isso sem contar os tratamentos para lúpus e artrite.


A campanha contra a cloroquina foi cruel. Médicos foram demitidos e houve censura nas redes sociais. A palavra hidroxicloroquina foi tabu na mídia; foi boicotada, proibida e a cada momento raro em que era pronunciada, vinha com uma tarja preta: “sem comprovação científica”. Mas o protocolo em que ela desponta agora tem nível de evidência científica 2-A, numa escala em que o ideal é 1-A e a evidência mais fraca é 5-D. E foi graças à audácia e à coragem de médicos brasileiros.


A médica Raissa Oliveira, que estava ontem no Palácio, lembrou ao microfone do seu desespero quando postou nas redes sociais um apelo por hidroxicloroquina, que havia sumido de Porto Seguro. Ela foi atendida depois que o presidente ligou para ela. “Em mil pacientes, chorei por um óbito”, contou ela, emocionando a todos. E pediu um minuto de silêncio pelos que não tiveram oportunidade de vencer o vírus.


Esse grupo de médicos, que desafiou uma imposição política, é composto de voluntários independentes, que desde abril todos os dias trocam experiências e resultados, como em permanente seminário, unidos e conectados. Chegaram a conclusões eficazes e seguras, em que a clínica é soberana e cada paciente reage de uma forma diferente. Talvez nunca tenha se espalhado pelo país uma difusão de conhecimento e resultados médicos como nesta pandemia. O porta-voz do grupo, Luciano Dias Azevedo, de Campinas, afirmou que a covid-19 tem tratamento, simples e barato, que evita internamento e morte, e diminui sofrimento.


Esses médicos fazem um apelo aos governantes de estados e municípios, e a seus colegas que também querem salvar vidas, que deem chance de tratamento acessível a todos, porque a maioria da população não têm recursos para ter o médico e o medicamento. “Ao primeiro sintoma, não fique em casa; procure o médico. Nos deem a liberdade e as ferramentas para salvar vidas; teremos cada vez menos pessoas intubadas; tem de acabar com tanta morte”, disse o porta-voz dos médicos na tribuna do palácio.


Como Bolsonaro, 65 anos, foi tratado por esse protocolo, Luciano lembrou que é justo que todo brasileiro tenha a chance de ser tratado como um presidente da República.

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