"Guardiões do Crivella"

Câmara do Rio rejeita pedido de abertura de processo de impeachment contra Crivella

O gestor municipal foi acusado de quebra do decoro parlamentar porque teria mandado servidores da prefeitura para fazer "plantão" na porta de unidades com o objetivo de atrapalhar o trabalho da imprensa e impedir que cidadãos dessem entrevista falando sobre problemas do sistema

Sarah Teófilo
postado em 03/09/2020 21:54

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), conseguiu se livrar de um processo de impeachment: a Câmara dos Vereadores rejeitou o pedido nesta quinta-feira (3/9) por 25 votos a 23. A solicitação de abertura de processo, apresentado pela deputada estadual Renata Souza (PSL), alegava que o prefeito cometeu infração político-administrativa, após reportagem da TV Globo mostrar esquema com servidores da prefeitura que iam a portas de unidades de saúde atrapalhar reportagens que denunciavam problemas na área.


O gestor municipal foi acusado de quebra do decoro parlamentar porque teria mandado servidores da prefeitura para fazer “plantão” na porta de unidades com o objetivo de atrapalhar o trabalho da imprensa e impedir que cidadãos dessem entrevista falando sobre problemas do sistema. Chamados de "Guardiões do Crivella", eles ficavam interrompendo o trabalho dos repórteres, gritando para atrapalhar entrevistas quando o telejornais estavam ao vivo.


O presidente da Câmara, Jorge Felippe (DEM), poderia ter rejeitado o pedido, sem que passasse pelo plenário. Ele, no entanto, segundo assessoria de imprensa, se baseou em um parecer da Secretaria Geral da Mesa e da Procuradoria da Câmara, que orientaram que o pedido fosse submetido ao plenário. A sessão foi semipresencial - ou seja, alguns parlamentares falaram da Câmara, outros não. A votação foi transmitida ao vivo.


Os parlamentares que votaram pela abertura do processo, falaram muito sobre o uso da prefeitura para atrapalhar o trabalho da imprensa e o direito à informação; já os vereadores que votaram de forma favorável a Crivella, alegaram que haveria uma tentativa de antecipar as eleições.


O vereador Professor Célio Lupparelli (DEM), por exemplo, exaltou a importância do trabalho da imprensa. “São pilares da democracia o livre acesso à informação e a liberdade de expressão. Neste contexto, está a liberdade de imprensa. Uma nação é mais forte e soberana, e comprometida com a justiça social, quanto mais livre e laboriosa é a sua imprensa. Os grandes líderes democráticos vivem em harmonia com a imprensa”, disse.


Já o líder do governo, Dr. Jairinho (Solidariedade), afirmou que o pedido, feito pela deputada, que é candidata a prefeita do Rio, tem interesses eleitorais. “Já tem investigação na polícia, no Ministério Público, no Judiciário e a Câmara já tem CPI. Impeachment agora, eu acho que querem ganhar a eleição no tapetão, que não querem disputar a eleição”, disse.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação