RIO DE CORRUPÇÃO

Candidata e secretário são presos

Operação Catarata 2 levou para a cadeia a ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson; e o titular da Secretaria Estadual de Educação, Pedro Fernandes. Eles integrariam esquema de fraudes em contratos de assistência social

Sarah Teófilo Renato Souza
postado em 12/09/2020 00:10

A ex-deputada e candidata à prefeitura do Rio Cristiane Brasil e o secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes, foram os principais alvos da segunda etapa da Operação Catarata, que cumpriu, ontem, cinco mandados de prisão preventiva. Além deles, tiveram a detenção decretada o empresário Flavio Salomão Chadud; o pai, delegado da Polícia Civil Mario Jamil Chadud; e o ex-diretor de administração financeira (DAF) da Fundação Leão XIII, João Marcos Borges Mattos.

O grupo era responsável por viabilizar fraudes em licitações e prorrogar os contratos ilegais, mediante recebimento de propina que variava de 5% a 25% do valor pago pelo contrato.

Pedro foi preso, mas permanecerá em casa porque apresentou atestado médico apontando que estaria com covid-19 –– mas pode ter de fazer novo exame para confirmar a infecção. As suspeitas são relativas ao período em que foi secretário estadual e municipal de Assistência Social.

“Devo ao banco”
Já Cristiane, filha do ex-deputado federal Roberto Jefferson, cardeal do PTB, apresentou-se à tarde; de manhã, quando foram prendê-la, não estava em casa. Ela negou as acusações e disse que não tem um patrimônio expressivo para ser acusada de enriquecer às custas do poder público.

“Devo ao banco, devo empréstimos que tive que pagar a dois motoristas que não mereciam, devo ao cartão de crédito e, agora, estou devendo à faculdade da minha filha, porque investi meu dinheiro na pré-campanha para poder concorrer à prefeitura. Em menos de uma semana, Eduardo Paes, (Marcelo) Crivella e eu viramos alvos. Isso deve ter dedo da candidata Marta Rocha (pré-candidata pelo PDT), do (governador afastado Wilson) Witzel e do André Ceciliano (presidente da Assembleia Legislativa do estado do Rio)”, acusou Cristiane, em rede social.

O MP-RJ indicou que as investigações que levaram à operação de ontem tiveram início em 2019, quando a Controladoria-Geral do Estado detectou fraudes em quatro pregões eletrônicos, ocorridos entre 2015 e 2018, na Fundação Estadual Leão XIII, que foram vencidos fraudulentamente pela Servlog Rio. A licitação envolvia a execução do projeto social assistencial Novo Olhar, visando oferecer consultas oftalmológicas e distribuição de óculos para população de baixa renda.

De acordo com os investigadores, o grupo teria fraudado licitações e contratos para execução dos projetos sociais assistenciais Qualimóvel, Novo Olhar e Agente Social, dentre outros. Segundo os promotores, tais projetos custaram aos cofres públicos, respectivamente R$ 20,6 milhões, R$ 29,7 milhões e R$ 66,7 milhões, totalizando mais de R$ 117 milhões.


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