Amazônia

"Tem críticas desproporcionais à Amazônia e ao Pantanal", diz Bolsonaro

A declaração foi feita a apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada. Presidente compara as queimadas no Brasil com incêndios na Califórnia e na África, diz que "índios" e "caboclos" tocam fogo e fala em fenômeno natural

Ingrid Soares
postado em 16/09/2020 20:47 / atualizado em 16/09/2020 21:00
 (crédito: Evaristo Sá/AFP)
(crédito: Evaristo Sá/AFP)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite desta quarta-feira (16/9) que a “Amazônia e o Pantanal tem sofrido críticas desproporcionais”. A declaração foi feita a apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada.


"Tem críticas desproporcionais à Amazonia e ao Pantanal, né. Califórnia está ardendo em fogo. A África tem mais foco que no Brasil. Nós tentamos com a regularização fundiária resolver essa questão. Tem muita terra que a ONG botou laranja aqui, então o lobby é enorme para você não fazer a regularização também”, apontou.


Bolsonaro disse ainda que povos indígenas e moradores rurais são responsáveis por parte dos focos de incêndio. “Agora, pega fogo. O índio toca fogo, o caboclo. Tem a geração espontânea. No Pantanal, 43 graus a temperatura média. No ano passado, quase não pegou fogo. Sobrou uma massa enorme de vegetais mortos para isso que está acontecendo agora", justificou o chefe do Executivo.


Os incêndios florestais no Brasil cresceram de forma vertiginosa ao longo de 2020 em quase todos os biomas, de acordo com informações registradas pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). De 1º de janeiro a 12 de setembro, o órgão contabilizou 125.031 queimadas no país, o maior registro para o período desde 2010, quando 182.170 focos de calor foram mapeados no mesmo intervalo.

Na comparação com o ano passado, a quantidade de incêndios nas florestas brasileiras já subiu 10% em 2020. O crescimento mais alarmante é no Pantanal. Em relação ao intervalo entre 1º de janeiro e 12 de setembro de 2019, o número de queimadas no bioma deu um salto de 210% neste ano — passou de 4.660 para 14.489.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação