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Líder do governo é alvo de ação contra propina

Ricardo Barros é acusado de receber repasses ilegais nos tempos em que era secretário do governo de Beto Richa. Estaria envolvido em fraude na contratação de energia eólica

Renato Souza Fabio Grecchi
postado em 17/09/2020 00:43

O escritório do deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo na Câmara, em Maringá, foi alvo, ontem, de uma operação do Ministério Público do Paraná sobre fraudes na contratação de energia eólica, e que teve por base informações da colaboração premiada da Operação Lava-Jato, que foram enviadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2019. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-PR, as ilegalidades ocorreram entre o final de 2011 e 2014, e os crimes investigados são corrupção e lavagem de dinheiro.

O MP afirma que a maior parte do dinheiro, aproximadamente R$ 5 milhões, teria sido repassada ao diretório do Progressistas, no Paraná. No entanto, pelo menos R$ 1,5 milhão teria sido pago a intermediários de Barros. A Justiça também autorizou o cumprimento de buscas em Curitiba, em Paiçandu (PR) e São Paulo –– onde foram feitas busca e apreensão na casa de Delmo Sérgio Vilhena.

O MP-PR quer obter mais informações sobre a relação de Barros e da mulher, Cida Borghetti, que é ex-governadora do Paraná, com Vilhena –– em cuja casa foram encontradas notas fiscais de hotéis de Maringá em nome dele, cadernos com anotações relativos à época do episódio em apuração, além de outros documentos, computadores e celulares.

Barros, que assumiu a liderança do governo na Câmara no mês passado, estaria envolvido em um esquema sobre contratos no setor de energia quando foi secretário de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul do Paraná, no governo de Beto Richa. Em nota, a assessoria do deputado insinuou que a operação teria alguma relação com as críticas que fez à Lava-Jato, dias atrás, quando acusou a força-tarefa de Curitiba de tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da corrida ao Palácio do Planalto, em 2018. “Ricardo Barros, relator da Lei de Abuso de Autoridade, repudia o ativismo político do judiciário”, conclui a nota que distribuiu ontem, justificando-se sobre a operação.


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