Renda Cidadã

Bolsonaro nega que Renda Cidadã seja medida eleitoreira

O mandatário ainda repetiu que o auxílio emergencial pago aos trabalhadores informais "não pode ser para sempre" e que o governo trabalha para se antecipar aos problemas sociais

Ingrid Soares
postado em 29/09/2020 11:02 / atualizado em 29/09/2020 13:17

O presidente Jair Bolsonaro negou na manhã desta terça-feira (29/9), por meio de uma publicação no Facebook, que o programa Renda Cidadã que o governo pretende criar vise sua reeleição em 2022. Ainda segundo o chefe do Executivo, a alta popularidade apresentada em pesquisas incomoda adversários políticos que o atacam em qualquer ocasião.


“Ao longo da minha vida parlamentar nunca me preocupei com reeleição. Sempre exerci meu trabalho na convicção de que o voto era consequência dele.Minha crescente popularidade importuna adversários e grande parte da imprensa, que rotulam qualquer ação minha como eleitoreira. Se nada faço, sou omisso. Se faço, estou pensando em 2022”, ressaltou.


Por outro lado, Bolsonaro completou dizendo que está preocupado com 2021, quando a taxa de desempregos poderá ter um volume ainda maior. Como o pagamento do auxílio emergencial termina em dezembro, o presidente corre com o Congresso e a equipe econômica para encontrar a fonte de recursos para o novo programa.


“Na verdade, estou pensando é em 2021, pois temos milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou rendas e deixarão de receber o auxílio emergencial a partir de janeiro/2021. A política do "fique em casa que a "economia a gente vê depois" acabou e o “depois” chegou. A imprensa, que tanto apoiou o "fique em casa", agora não apresenta opções de como atender a esses milhões de desassistidos”, apontou.


Bolsonaro também voltou a criticar prefeitos e governadores pelas medidas de isolamento adotadas e disse que o governo trabalha para se antecipar aos problemas sociais, respeitando o teto de gastos. O mandatário repetiu que a ajuda aos trabalhadores informais “não pode ser para sempre”.


“Os responsáveis pela destruição de milhões de empregos agora se calam. O meu governo busca se antecipar aos graves problemas sociais que podem surgir em 2021, caso nada se faça para atender a essa massa que tudo, ou quase tudo, perdeu. A responsabilidade fiscal e o respeito ao teto são os trilhos da Economia. Estamos abertos a sugestões juntamente com os líderes partidários. O Auxílio Emergencial, infelizmente para os demagogos e comunistas, não pode ser para sempre”, concluiu.

 

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Ontem, Bolsonaro anunciou a criação do programa que substituirá o Bolsa Família do PT, o Renda Cidadã. Ao lado de líderes do governo e do ministro da Economia Paulo Guedes, o governo apontou que a solução final é a utilização de parte dos recursos destinados para o pagamento de precatórios e dos recursos adicionais aprovados para o novo Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).


O novo programa social constará da PEC Emergencial, que trata da regulamentação dos gatilhos que devem ser acionados no caso de descumprimento do teto de gastos - emenda constitucional que limita o crescimento da despesa à inflação do ano anterior. A expectativa é que o relatório seja apresentado nesta semana com maiores detalhamentos, como por exemplo, o valor a ser pago. 

"Se o Brasil for mal, todo mundo vai mal”

Mais tarde, na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a comentar a apoiadores as críticas recebidas pelo Renda Cidadã,  principalmente pela intenção de utilizar recursos de precatórios, que são dívidas de ações judiciais do governo. Apesar de dizer que não se tratava de uma mensagem direta, o mandatário enviou um recado para o mercado financeiro. Segundo o chefe do Executivo, se o Brasil for mal, todo mundo vai mal”.


“Pessoal do mercado, não tô dando recado para vocês, (mas) se o Brasil for mal, todo mundo vai mal. Aquele ditado estamos no mesmo barco é o mais claro que existe no momento. O Brasil é um só. Se começar a dar problema todos sofrem. Pessoal do mercado não vai ter também renda. Vocês vivem disso, de aplicação. E nós queremos, obviamente, estar de bem com todo mundo. Mas eu peço, por favor, ajudem com sugestões, não com críticas”.


O mandatário também repetiu críticas a prefeitos e governadores por conta das medidas restritivas adotadas em meio a pandemia de coronavírus. “Quando tiver que criticar alguém, não é o presidente. É quem destruiu o emprego de 20 milhões de pessoas. O cara não tem mais como vender a sua água, o seu sorvete na arquibancada do seu time de futebol. A questão da praia, o biscoito Globo também quebrou no RJ, o cara não vende mais churrasquinho de gato na rua. Começou a aparecer um ou outro ambulante na rua. Precisamos de uma solução para isso”, apontou.


Segundo Bolsonaro, a previsão é de que em janeiro de 2021, 20 milhões de pessoas fiquem “quase sem renda”. Porém, diz, as alternativas elencadas pelo governo em busca da recuperação econômica vem sofrendo críticas monstruosas, mas sem sugestões em contrapartida.


“Nós temos que ter uma alternativa para isso se não os problemas sociais serão enormes. Agora tudo que o governo pensa, ou gente ligada ao governo, ou líderes partidários pensam, isso aí se transforma-se em críticas monstruosas contra nós. Agora eu quero ver alternativa. Porque se esperar chegar 2021 para ver o que vai acontecer, podemos ter problemas sociais gravíssimos no Brasil”, declarou.

Venda de estatais


Bolsonaro ainda comentou que entre as ideias levantadas por parlamentares está a venda de estatais.

“Sabemos que não tem recurso então está buscando alternativas. Alguns falam: “Ah, pega de precatórios, venda algumas estatais”. Vender estatais não é de uma hora para outra assim não. Vamos lá vender “Ah, quem quer comprar?”. É um processo enorme, tem que ter um critério para isso não pode queimar estatais, tem que ter uma finalidade. Se bem que para essa finalidade é possível, possível de ser estudado, antes que o mercado desabe novamente”, ressaltou.

“Aceitamos sugestões”


O presidente se disse aberto a sugestões sobre eventuais formas de financiamento para o programa Renda Cidadã. “Eu vou para uma máxima militar, eu quero a solução racional, preciso de ajuda no tocante a isso, conselho, sugestões. Agora, se não aparecer nada, eu vou tomar aquela decisão que o militar toma. Pior do que uma decisão mal tomada, é uma indecisão. Eu não vou ficar indeciso. O tempo está correndo. Tá o tic-tac correndo, está chegando janeiro de 21”, completou.


Bolsonaro disse ainda que "distúrbios sociais" poderiam ser usados pela esquerda para "incendiar o Brasil".
“Precisamos de alternativa para aproximadamente 20 milhões de pessoas que não vão ter o que comer a partir de janeiro do ano que vem. É esse desafio que eu passo, que eu jogo para a população brasileira. Isso equivalente aproximadamente a 10% da população”, justificou.


Por fim, Bolsonaro relatou que “não existe um momento mais difícil do que esse vivido no Brasil”. “Não tenho bola de cristal, não. Um pouco de raciocínio, um pouco de estudo e coragem para decidir. Ser presidente, governador ou prefeito, não é sentar na cadeira e esperar a banda passar. Tem que tomar decisões, momentos difíceis. Não existe um momento mais difícil do que esse que estou vivendo aqui no Brasil, não existe. Tomar decisões”, concluiu.

 

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