Operação SOS

PF apreende cerca de R$ 469 mil na casa de operador financeiro no Pará

Nicolas Morais é suspeito de intermediar contratos irregulares entre o governo e empresas na área da Saúde, além integrar uma rede de lavagem de dinheiro. Agentes da PF fizeram busca e apreensão no gabinete do governador Hélder Barbalho

Sarah Teófilo
postado em 29/09/2020 20:18 / atualizado em 29/09/2020 20:54
Dinheiro apreendido em Operação SOS, no Pará, na casa de suposto operador do esquema -  (crédito: Divulgaão/PF)
Dinheiro apreendido em Operação SOS, no Pará, na casa de suposto operador do esquema - (crédito: Divulgaão/PF)

A Polícia Federal do Pará apreendeu nesta terça-feira (29/9) aproximadamente R$ 469,5 mil na casa do suposto operador financeiro do esquema que culminou na Operação SOS, que teve como um dos alvos o governador Hélder Barbalho (MDB). A PF fez busca e apreensão no gabinete do chefe do Executivo. Segundo os investigadores, o operador do esquema é o de Nicolas André Tsontakis Morais. Ele seria o intermediário entre médicos e empresários de São Paulo e a alta cúpula do governo do Pará.

Foram apreendidos 45.369 dólares (cotação a R$ 5,64), 6.685 euros (cotação a R$ 6,62) e 169.340 reais. Segundo a investigação, Nicolas utilizava a identidade falsa de Nicholas André Silva Freira com o propósito de facilitar o cometimento de fraudes, a ocultação do patrimônio e dificultar uma eventual ação policial. Em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Francisco Falcão afirma que Nicolas atuaria na relação com o governo, na execução de contratos firmados e na lavagem de recursos por meio de empresas e de laranjas.

De acordo com a PF, Nicolas atuava ainda para qualificar as organizações sociais (OSs) a participar dos processos licitatórios. A investigação informa que há diversos telefonemas nos quais o suposto operador cita chamamentos de licitações e reuniões no Palácio do Governo e na Casa Civil para tratar de assuntos de interesse das OSs que integravam o esquema.

A polícia identificou diversos depósitos fracionados e transferências bancárias de investigados ligados às OSs para Nicholas André Freire em contratações realizadas com a Secretaria de Educação e com a Secretaria de Transportes. Há indícios de irregularidades e pagamento de propina de R$ 331 mil para o secretário de Transporte, Antônio de Pádua, que também foi alvo desta operação e teve um mandado de prisão temporária.

Levantamentos da PF indicam, ainda, um patrimônio de Nicolas superior a R$ 600 mil, além de uma série de transações financeiras internacionais de valor expressivo. As autoridades policiais também apontam que Nicolas atuou no processo de qualificação de três OSs, em abril do ano passado, e recebeu como recompensa um automóvel no valor de aproximadamente R$ 450 mil.

Em nota, o governo do Pará informou que "apoia, como sempre, qualquer investigação que busque a proteção do erário público". A reportagem do Correio busca contato com Nicolas. O espaço segue aberto para manifestação.

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