Coronel presidirá a fundação das artes

O governo federal exonerou, ontem, o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Luciano da Silva Barbosa Querido, e nomeou em seu lugar o coronel do Exército Lamartine Barbosa Holanda. Será mais um posto ocupado por um militar no governo Bolsonaro.

Querido já foi assessor do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente. Ele foi nomeado para a Funarte em junho, mas já estava na posição interinamente desde maio deste ano, depois de Mário Frias substituir Regina Duarte na Secretaria da Cultura, em julho. O Ministério Público Federal (MPF) tentou, inclusive, suspender a nomeação de Querido.

A experiência de Holanda no universo das artes se restringe à área do audiovisual do Exército. Entre seus trabalhos consta que foi diretor e roteirista de vídeo institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel). Ele também já foi editor de conteúdo e diretor na Câmara do Comércio do Mercosul e Américas, entre 2009 e 2012.
A Funarte, criada em 1975, é hoje vinculada ao Ministério do Turismo. O primeiro presidente da Funarte, durante a ditadura militar, foi José Cândido de Carvalho, escritor, jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras, entre 1976 e 1981 — autor do clássico O Coronel e o Lobisomem.

O Correio questionou o Ministério do Turismo sobre o motivo da troca na pasta da Cultura, além de requisitar o currículo do coronel, que foi analisado, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta. Lamartine será o quarto presidente da fundação no atual governo — antes dele e de Querido, passaram pela Funarte o maestro Dante Mantovani, por dois períodos, e Miguel Proença.