Candidata do PT

Benedita da Silva é excluída da lista de Personalidades Negras da Fundação Palmares

Decisão foi do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que alegou que Benedita da Silva (PT) foi excluída da lista por responder a um processo de improbidade administrativa

Hellen Leite
postado em 01/10/2020 12:16
 (crédito: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)
(crédito: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

A candidata do PT à Prefeitura do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, teve o nome retirado da lista de Personalidades Negras da Fundação Palmares. O presidente da entidade, Sérgio Camargo, alegou que a decisão foi tomada por Benedita responder a um processo por improbidade administrativa.

Em resposta, a deputada disse que o ato de Camargo é "abuso de poder", relatou estar sendo atacada de forma racista nas redes sociais e afirmou que entrará na Justiça contra os agressores. "Sou uma mulher forte e a luta nunca para", disse no Twitter. A deputada também disse que Sérgio Camargo é um "capitão do mato" que age a mando de Bolsonaro. Após a resposta, o presidente da Fundação Palmares ameaçou processar Benedita por injúria racial.


Benedita, de 78 anos, foi a primeira senadora negra do Brasil. É de sua autoria o projeto que inscreveu Zumbi dos Palmares no panteão dos heróis nacionais. Antes de ser retirado do ar, o perfil da petista na Fundação Palmares a identificava como "autora de 84 projetos de leis de grande importância para a população. Sua atuação ajudou a escrever a história recente do país".

Ela também foi vice-governadora do Rio de Janeiro entre 1999 e 2002, e tornou-se governadora em 2002, quando Anthony Garotinho deixou o cargo para disputar a Presidência da República.

Improbidade administrativa

Em 2015, Benedita teve os bens bloqueados pela 6ª Vara de Fazenda Pública do Rio, que também determinou a quebra de sigilos bancário e fiscal da candidata. À época, ela foi acusada pelo Ministério Público de improbidade administrativa por dispensar licitação.

Benedita supostamente cometeu fraudes quando foi secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, entre 2007 a 2010, no primeiro mandato de Sérgio Cabral. Segundo a Justiça, os prejuízos causados aos cofres públicos foram da ordem de R$ 32 milhões.

Ela não foi condenada no caso. No entanto, em agosto deste ano, o juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública do Rio, Bruno Bodart, decidiu manter o bloqueio de bens da candidata.

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