Marco Aurélio não atende ligação de desembargador indicado ao STF

Magistrado afirmou que é necessário que ele seja nomeado, para que possa "tomar pé das coisas do Supremo"

Renato Souza
postado em 03/10/2020 20:49 / atualizado em 03/10/2020 22:31
 (crédito: Carlos Humberto/SCO/STF - 18/12/13)
(crédito: Carlos Humberto/SCO/STF - 18/12/13)

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu não atender uma ligação do desembargador Kassio Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a vaga que será aberta com a aposentadoria do decano da Corte, Celso de Mello. O desembargador, atualmente integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), precisa passar por sabatina no Senado Federal para ser confirmado no cargo.


Kassio entrou em contato com o gabinete do ministro Marco Aurélio, que informado por sua equipe, decidiu não atender o telefonema. "Ele entrou em contato com o gabinete querendo me falar ao telefone. Mas aí eu ponderei, que é interessante aguardamos a nomeação, e não nos falamos. E eu não conheço o candidato, nem o perfil dele como julgador" disse Marco Aurélio, ao ser procurado pelo Correio.


Ainda de acordo com o magistrado, não haverá nenhum tipo de resistência ao magistrado quando ele for aprovado pelos parlamentares e assumir a vaga. "Nomeado, o receberei de braços abertos, não há a menor dúvida. Enquanto isso, não dá pra ele começar a tomar pé das coisas no Supremo", completou o ministro.

Com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, o colega de plenário, MarcoAurélio, passa a ser o decano do Tribunal, ou seja, o magistrado a mais tempo no Supremo.

O magistrado deve se aposentar em julho do ano que vem, ao completar 75 anos de idade. Nos bastidores do Supremo, gerou desconforto a indicação de Kassio, pelo presidente Bolsonaro, antes da oficialização da aposentadoria do ministro Celso, que deixa a cadeira no próximo dia 13.


Um dos incomodados é o presidente do STF, Luiz Fux. Ele ficou contrariado após o Executivo consultar os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, antes da indicação. Ambos são ex-presidentes da Corte.

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