CORRUPÇÃO

Democratas aciona jurídico para acompanhar inquérito contra senador

Em caso de comprovação das práticas ilícitas, Chico Rodrigues pode sofrer desde advertência à expulsão do partido

Bruna Lima
postado em 15/10/2020 21:04
 (crédito: Divulgação/rede social)
(crédito: Divulgação/rede social)

Depois de o Judiciário se encarregar de determinar o afastamento temporário do senador Chico Rodrigues (DEM/RR) e o próprio parlamentar decidir deixar a vice-liderança do governo, seu partido iniciou uma apuração própria contra o filiado para decidir os próximos passos a serem tomados. Nesta quinta-feira (15/10), o Democratas Nacional protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando acesso ao inquérito.

"O ato tem como objetivo analisar eventual desrespeito aos princípios éticos do Democratas, previstos estatutariamente", explicou a legenda, por meio de nota oficial.O Departamento Jurídico acompanha os desdobramentos do inquérito, mas, nos bastidores, o clima já é de desconforto pelas circunstâncias pelas quais o dinheiro, ainda de origem desconhecida, foi encontrado pelos policiais federais.

Chico Rodrigues foi um dos alvos da operação Desvid19, que investiga um esquema de desvio de verbas públicas destinadas ao combate à pandemia da covid-19 em Roraima. Segundo as apurações da PF, foram desviados cerca de R$ 20 milhões em emendas parlamentares. Parte do dinheiro foi encontrada escondida entre as nádegas do parlamentar.

"Estamos atentos a todos os detalhes da investigação e, havendo a comprovação da prática de atos ilícitos pelo parlamentar, a Executiva Nacional aplicará as sanções disciplinares previstas no Estatuto do partido", enfatizou o Democratas. As medidas vão desde advertências à suspensão das atividades partidárias, expulsão e cancelamento da filiação.

Muda Senado

No Senado, o grupo Muda Senado, que inclui parlamentares de vários partidos, elabora uma representação para apuração dos fatos no Conselho de Ética da Casa. Já no STF, o ministro Luís Roberto Barroso determinou afastamento do mandato por 90 dias, alegando que a medida é necessária para que o caso seja investigado “de modo a impedir que se utilize de seu cargo para dificultar as investigações ou para, ainda mais grave, persistir no cometimento de delitos”.

Já o próprio parlamentar comunicou a saída da vice-liderança do governo, justificando que a medida foi tomada para que ele possa “cuidar da defesa” e “provar minha inocência”, como escreveu. “Ao longo dos meus 30 anos de vida pública, tenho dedicado minha vida ao povo de Roraima e do Brasil, e seguirei firme rumo ao desenvolvimento da minha nação”, completou.

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