COVID-19

"Está pensando em tudo, menos na saúde", diz Bolsonaro sobre Doria

Mais cedo, o presidente já havia dito que a vacina contra a covid-19 "não será obrigatória e ponto final"

Ingrid Soares
postado em 19/10/2020 20:10
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a comentar no final da tarde desta segunda-feira (19/10) a fala do governador de São Paulo, João Doria, em tornar obrigatória a vacinação contra a covid-19 no estado. O chefe do Executivo repetiu que a imunização não será compulsória e atacou indiretamente o tucano, seu desafeto político, dizendo que o mesmo "está pensando em tudo, menos na saúde e na vida". A declaração ocorreu durante evento de anúncio do resultado de um estudo clínico sobre a doença.

"Vou falar sobre uma noticia que está circulando, não é fake news, ela é verdadeira, levando-se em conta o autor, mas na prática, ela é falsa. Tem uma lei de 1975 que diz que cabe ao Ministério da Saúde o Programa Nacional de Imunização, ali incluindo as possíveis vacinas obrigatórias. A vacina contra o covid, como cabe ao MS deferir essa questão, já foi deferida, ela não será obrigatória. Então quem propagado isso aí com toda certeza é uma pessoa que pode estar pensando em tudo, menos na saúde ou na vida do próximo", disparou.

O mandatário completou que é necessário que a vacina passe por todos os trâmites necessários e seja aprovada pela Anvisa: "Dizer mais ainda, nas palavras do ministro Pazuello, estive com ele há pouco tempo, ele é bem claro, que qualquer vacina aqui no Brasil tem que ter a comprovação científica e mais ainda, tem que ser aprovada pela Anvisa. Isso não é toque de caixa, nem de uma hora para outra e nós sabemos que muita gente contraiu e nem sabe que contraiu e já está imunizado. Vai obrigar essa pessoa a tomar essa vacina?", apontou.

Bolsonaro também criticou o custo unitário da vacina em relação ao laboratório da chinesa Sinovac. Comparou com o imunizante que está em desenvolvimento pela Universidade de Oxford, em parceria com o governo federal.

"Por parte dessa fonte (Sinovac), custa mais de 10 dólares. Por outro lado, pelo nosso lado, custa menos de US$ 4. Não quero acusar ninguém de nada aqui, mas se a pessoa está se arvorando e levando terror perante a opinião pública, onde hoje em dia, pelo menos, metade da população diz que não quer tomar essa vacina. Isso é um direito das pessoas. Ninguém pode em hipótese alguma obrigá-las a tomar essa vacina. Então o governo federal, eu repito, não obrigará ninguém a tomar essa vacina", rebateu Bolsonaro, sem dar referência de pesquisas sobre interesse dos brasileiros sobre a vacinação.

Mais cedo, o presidente já havia dito que a vacina contra a covid-19 "não será obrigatória e ponto final".


Críticas à imprensa 

Bolsonaro também criticou a imprensa, que diz ter sido uma das responsáveis a espalhar o caos e tê-lo atacado em relação a pandemia de coronavírus. "Sonho com uma imprensa responsável. Quando tiver, pode ter certeza que o Brasil não vai voar apenas, vai para o espaço porque temos tudo para ser uma grande nação", concluiu.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não esteva presente na cerimônia. Segundo Bolsonaro — o presidente não deu detalhes — o ministro teve uma indisposição e dirigiu-se ao hospital, mas passa bem.

 

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