Brasília vai produzir vacina russa

Laboratório da capital federal recebe parte dos insumos para a fabricação do imunizante Sputnik V. Após estudo, será feito pedido formal à Anvisa para o começo dos testes. China defende a CoronaVac, rejeitada por Bolsonaro

Darcianne Diogo - BRUNA LIMA
postado em 22/10/2020 23:37 / atualizado em 22/10/2020 23:38
 (crédito: Silvio Avila/AFP - 8/8/20)
(crédito: Silvio Avila/AFP - 8/8/20)


O Laboratório União Química de Brasília recebeu, ontem, parte dos insumos para a produção da vacina russa Sputnik V, contra o novo coronavírus. Essa é a fase de pré-produção e conta com vetores (matéria-prima), segundo informou ao Correio o diretor de negócios internacionais da União Química, Rogério Rosso.

Em agosto, a farmacêutica brasileira firmou contrato de transferência de tecnologia com o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF) e com o Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya. “Nós somos o braço industrial. Essa é uma fase normal das empresas e laboratórios, mas que só é possível por causa da tecnologia que nossa empresa tem para a produção de medicamentos”, destacou Rosso.

Após o estudo, a União Química fará o pedido formal à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o começo dos testes, de modo que seja protocolado conforme as regras. “A Anvisa é fundamental e tem exercido um trabalho maravilhoso em todas as fases de autorizações e regulações sanitárias. Estamos focados nessa produção para que possamos imunizar a população brasileira”, frisou o diretor de negócios internacionais da empresa.

China

Enquanto aumenta a politização em torno da vacina contra a covid-19, o Ministério das Relações Exteriores da China mantém discurso de cooperação mútua com o Brasil. O porta-voz da pasta, Zhao Lijian, destacou a eficácia da CoronaVac, imunizante desenvolvido pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. “Os estudos ocupam posição de liderança” no mundo, ressaltou, em coletiva de imprensa. Ao ser questionado sobre a decisão do governo brasileiro de suspender a compra da vacina, ele evitou críticas e preferiu destacar a confiança de que a cooperação bilateral prosseguirá.

“Acreditamos que a cooperação relevante contribuirá para a derrota completa da epidemia na China, no Brasil, e para as pessoas de todos os países”, disse. A parceria, segundo ele, reforça o compromisso de tornar o imunizante uma oferta global. O objetivo chinês é tornar a vacina “disponível e acessível aos países em desenvolvimento”.

 

 

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