PRIVATIZAÇÃO

Bolsonaro: "Eu tenho bom atendimento médico e o povo tem que ter"

Apesar de revogá-lo, presidente defende decreto que autoriza participação da iniciativa privada nas unidades básicas de saúde. Disse que há mais de 4 mil instalações inacabadas por falta de recursos. Bolsonaro afirmou que protestos partem de quem quer a volta de governos de esquerda

Ingrid Soares
postado em 29/10/2020 12:28 / atualizado em 29/10/2020 12:41
 (crédito: Marcelo Camargo/Agencia Brsil)
(crédito: Marcelo Camargo/Agencia Brsil)

O presidente Jair Bolsonaro defendeu o decreto que autorizava a realização de estudos para nortear a participação de entidades privadas na construção, gestão e operação de unidades básicas de saúde (UBSs). A medida, publicada no Diário Oficial da União e revogada no mesmo dia, não trata da privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), afirmou. O chefe do Executivo comentou sobre o tema a apoiadores na noite de ontem, na entrada do Palácio da Alvorada. Bolsonaro acrescentou que, em caso de entendimento, o decreto poderá ser reeditado. 

“Não existe privatização do SUS. Fizemos o ano passado no tocante a creches. As UBS e Upas são mais de 4 mil que estão inacabadas. E não tem dinheiro. Em vez de deixar de deteriorar, gostaríamos de oferecer à iniciativa privada. Qualquer atendimento ali feito pela iniciativa privada seria ressarcido pela União. O pessoal falou que era privatizar, eu revoguei o decreto. Deixa. Quando tiver o entendimento do que a gente de verdade quer fazer, talvez eu reedite o decreto”, disse.

Contrariado, Bolsonaro reclamou das críticas de setores políticos e de entidades da sociedade civil que recebeu ao longo do dia. Segundo ele, “estava sendo visto como um monstro” perante a opinião pública. O mandatário justificou também que “possui um bom atendimento médico e que a população também deveria ter”.

“Vamos ter mais de 4 mil unidades abandonadas jogadas no lixo sem atender uma pessoa sequer. Então lamentavelmente o pessoal da esquerda critica, essa imprensa critica, e eu estava virando um monstro. Então eu revoguei o decreto, sem problema nenhum. Eu tenho um bom atendimento médico, agora o povo tem que ter também”, alegou. "Como a gente pode conseguir um bom atendimento? Agindo dessa maneira. Não tem outra maneira", afirmou.

O presidente usou um tom catastrofista, alertando que o país pode retornar para governos de esquerda nas próximas eleições. “ Arrebentaram com o Brasil. A saúde era só corrupção. Resolvemos muita coisa, agora quer de uma hora para outra... Sabe o que vai acontecer com o Brasil mais cedo ou mais tarde? Vai voltar para as mãos de quem nos botou no buraco. Pode ter certeza, continuem agindo dessa maneira que volta para as mãos de que nos botou no buraco”, avisou Bolsonaro.

O mandatário finalizou rebatendo que tem recebido sugestões de populares para a economia, diminuindo salário do poder Legislativo. Ele ressaltou, porém, que não tem poder para adotar tal medida.


"É impressionante, as críticas infundadas tudo critica, tudo critica. Aí vem cara assim: ‘"Diminua salário do poder legislativo que tem dinheiro para saúde". Eu não tenho poder de mexer em salário de servidor do legislativo. Tem que entender. Se querem um ditador votaram no cara errado. Sei dos problemas. Querem que eu resolva sozinho? Em 22 vão ter chance de escolher um cara melhor do que eu. Tem uma pancada de cara bom aí".

Depois emendou aos apoiadores: "Eu não vou desistir não, fica tranquilo, aí".

 

 


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