Censura

Flávio Bolsonaro processa apresentadores do Jornal Nacional

Advogados do senador afirmam que Rede Globo descumpriu ordem judicial ao noticiar informações sobre esquema de rachadinha, que seria mantido por ele nos tempos em que era deputado estadual no Rio

Renato Souza
postado em 09/11/2020 13:56
Advogados do senador viram na reportagem do JN o descumprimento de uma decisão judicial que impede a Globo de noticiar o esquema das rachadinhas -  (crédito: Beto Barata/Agencia Senado)
Advogados do senador viram na reportagem do JN o descumprimento de uma decisão judicial que impede a Globo de noticiar o esquema das rachadinhas - (crédito: Beto Barata/Agencia Senado)

Os advogados do senador Flávio Bolsonaro protocolaram uma notícia-crime contra os jornalistas Willian Bonner e Renata Vasconcellos, apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo. Na peça, os defensores do parlamentar alegam que a emissora veiculou, mesmo impedida pela Justiça, informações sobre a investigação que trata do esquema de rachadinhas, que teria sido montado no gabinete de Flávio quando ele era deputado da Assembleia Legislativa Estadual do Rio de Janeiro (Alerj).

A censura foi imposta à Globo pela juíza Cristina Feijó, da 33ª Vara Cível do TJ-RJ. A emissora recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Ricardo Lewandowski negou derrubar a decisão, de imediato, por não ser o foro competente. Mas, determinou que o caso seja julgado com celeridade pelo Tribunal.

O ministro afirmou que "considerada a relevância dos valores constitucionais envolvidos na presente demanda judicial, e tendo em conta o direito à razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição da República, determino à Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que julgue o mérito do agravo interposto pela reclamante na primeira sessão subsequente ao recebimento da intimação desta decisão".

Depoimento

A Globo levou ao ar o depoimento de Luiza Souza Paes, ex-assessora de Flávio, que confirma a existência das rachadinhas. De acordo com Luiza, ela nunca trabalhou na Alerj, mesmo sendo contratada.

A ex-assessora afirmou que repassava, todo mês, 90% do salário para Fabrício Queiroz, que é apontado como intermediário de Flávio para receber os valores recolhidos de funcionários fantasmas. O senador nega as acusações e se diz inocente.

Em nota, a Globo informou que pode "garantir que não houve descumprimento de ordem judicial".

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