Eleições

Saúde de Maguito provoca tensão no segundo turno em Goiânia

Líder nas pesquisas para a Prefeitura de Goiânia, ex-governador luta contra a covid-19 e segue intubado, na UTI. Com o político em estado grave, especialistas apontam risco de aumento dos votos brancos e nulos no domingo

Luiz Calcagno
postado em 24/11/2020 06:00
 (crédito: REprodução/Tweeter)
(crédito: REprodução/Tweeter)

Com o candidato favorito à prefeitura de Goiânia, Maguito Vilela (MDB), em estado grave, na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, há risco de aumento dos votos brancos e nulos no segundo turno das eleições na capital de Goiás. O pleito ocorre no domingo. Maguito luta contra a covid-19 desde 20 de outubro, quando foi diagnosticado com a doença. Dois dias depois, teve de ser internado, em Goiânia. No último dia 30, precisou de intubação pela primeira vez. Ele deixou a ventilação mecânica no dia 8, mas voltou ao equipamento em 15 de novembro, data do primeiro turno das eleições. De acordo com boletim médico, o político tem quadro estável.


O temor é de que, diante de uma eventual piora de Maguito, os eleitores se estranhem com o candidato a vice, Rogério Cruz, pastor da Igreja Universal e desconhecido na região. Ainda assim, o outro concorrente à prefeitura, Vanderlan Cardoso (PSD), tem poucas chances de bater o adversário, segundo especialistas.


Cardoso até tentou ligar seu nome ao do presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve os resultados desejados. Além disso, acusou a campanha de Maguito de não ser transparente sobre a saúde do candidato, estratégia que acabou se voltando contra ele. Para completar, declarou apoio ao senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro nas partes íntimas durante uma operação da Polícia Federal.


Professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do programa de pós-graduação em ciências políticas da instituição, Denise Paiva avaliou que a situação eleitoral de Maguito é grave, embora relativamente confortável. “O que se tem mostrado é que ele é o candidato favorito, não obstante a situação delicada. Ao que tudo indica, ele será o vencedor”, afirmou.
“Para o eleitor, é uma situação incógnita. O estado de saúde de Maguito é delicado. E a campanha do Vanderlan tentou acusar de falta de transparência na situação de saúde, mas isso se reverteu contra ele. A dificuldade é que o candidato a vice é desconhecido. É um bispo da Universal. Pode resultar em aumento do número de votos brancos e nulos, embora não deva reverter o resultado, em função da rejeição em relação a Vanderlan”, disse.

Na frente

Pesquisa do Instituto Serpes, contratada pelo jornal O Popular, sobre as intenções de voto mostra que o Maguito mantém a liderança na disputa, com a preferência de 43,9% dos entrevistados. Já Vanderlan ficou com 29,3% das respostas estimuladas. Houve, ainda, 11,8% de indecisos e 15% que, hoje, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas. Traduzidos em votos válidos, os números indicam 60% para Maguito e 40% para Vanderlan. No levantamento espontâneo, em que entrevistados respondem em quem votariam sem que lhes sejam apresentados os nomes dos candidatos, o emedebista ficou com 42,3% das intenções e o postulante do PSD, com 27,8%. Além disso, 19,6% disseram que não votariam de jeito nenhum em Vanderlan, enquanto 13,5% rejeitam o nome de Maguito. O instituto Serpes ouviu 601 eleitores de Goiânia (GO), entre 20 e 21 de novembro. A margem de erro é de até quatro pontos porcentuais para mais ou para menos. O nível de confiança do levantamento é de 95%. (Com Agência Estado)

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