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"Governo queria me derrotar", crava Maia sobre votação no STF

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia acusa Palácio de antecipar sucessão ao comando da Casa e, assim, travar trabalhos. Deputado garante que apoiará quem mantiver independência na relação com Bolsonaro

Ingrid Soares
Wesley Oliveira
postado em 08/12/2020 06:00
 (crédito: ED ALVES/CB/D.A Press)
(crédito: ED ALVES/CB/D.A Press)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acusou o governo de ter antecipado o processo de sua sucessão ao estimular a pré-candidatura de Artur Lira (PP-AL), candidato do Centrão e da base do Palácio do Planalto. E foi além: disse que o objetivo do governo era “derrotá-lo”, apesar de ressaltar que nunca se colocou como candidato à reeleição.

“A candidatura do governo é contra Rodrigo Maia. Acabaram as desculpas, não precisam mais me derrotar. Vamos trabalhar para garantir equilíbrio fiscal para os próximos 24 meses”, alfinetou, para acrescentar:

“O governo antecipou o processo da minha sucessão, agora a Câmara pode voltar a questões prioritárias, como a PEC emergencial, que deveria ter sido votada em dezembro de 2019, entre outras matérias que podem mudar os parâmetros da economia brasileira”, disse.

Para a sua sucessão, Maia afirmou que tem conversado com um grupo de deputados comprometidos com a agenda econômica liberal e com a independência da Casa em relação a outros poderes. De acordo com o deputado, a decisão do STF deu mais “energia” aos deputados que articulam a disputa pelo comando da Câmara. Maia enfatizou que seu candidato vai representar a continuação do movimento de independência em relação ao Palácio do Planalto.

Maia disse que não tem “problema de relação” com ninguém, ao ser questionado sobre Lira. E emendou dizendo que o governo tem “fixação” com seu nome. “Não tenho problema de relação com ninguém, o governo é que tem fixação no meu nome, trabalha para derrotar meu candidato”. Acho que o que vai acontecer é que o governo vai interferir, como já vem interferindo, nesse processo. Nosso candidato vai ficar de forma muito clara separado desse movimento de interferência”, salientou.

Para ele, “todos os candidatos” que se colocarem como independentes na disputa vão ter de “tomar cuidado” para deixar claro que não há uma interferência no Parlamento. “Espero que o Planalto deixe que deputados e deputadas decidam, mas não parece que é o que vai acontecer”, disse Maia.

Comemoração

O presidente Jair Bolsonaro e o seu time ministerial mais íntimo enxergam uma “vitória” e um “motivo de comemoração” a decisão do STF que atingiu Maia. Apesar de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), visto como um aliado do Palácio do Planalto, também ter tido a possível candidatura barrada para novo pleito, considerou-a um efeito colateral. Importante foi a vedação ao atual presidente da Câmara.

Segundo auxiliares palacianos, o governo acredita que agora terá maiores chances de emplacar um sucessor na Casa. A disputa ao cargo, que é essencial para o andamento de projetos nos dois últimos anos do mandato presidencial, tem travado pautas de interesse do próprio governo.

Para conseguir atingir o objetivo de eleger seu ungido, o Planalto não descarta a possibilidade de uma reforma ministerial para agradar àqueles que apoiarem seu projeto. Dentre os que podem ser convidados a deixar o governo, e voltarem à Câmara pela construção da candidatura governista e reforçar a base, estão o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Por outro lado, Bolsonaro defende a permanência do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apesar de a saída deles ser vista com um sinal de diálogo junto à comunidade internacional, nas áreas ambientais e de política externa.

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