Pandemia

Bolsonaro: decisão do Supremo sobre vacinas é uma "irresponsabilidade"

Suprema Corte decidiu nesta quinta-feira (17/12) que quem se recusar a ser vacinado pode ser penalizado com medidas restritivas. Presidente alertou que não haverá vacina disponível para todos

Augusto Fernandes
postado em 17/12/2020 22:20 / atualizado em 17/12/2020 22:39

O presidente Jair Bolsonaro criticou, na noite desta quinta-feira (17/12), a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a aplicação de medidas restritivas contra os brasileiros que se recusarem a se vacinar contra o novo coronavírus. Para ele, o tema foi tratado de forma açodada, o que seria uma irresponsabilidade.

Bolsonaro ponderou que, em 2021, não haverá vacinas disponíveis para toda a população do país. Assim, segundo ele, uma pessoa pode dizer que quer ser imunizada e, mesmo assim, não receber a vacina. Na avaliação do presidente, o entendimento firmado pelo STF pode, portanto, se tornar inócuo. “É uma irresponsabilidade tratar uma questão que trata de vidas, para salvar ou para ter efeito colateral, tratar com açodamento, com correria. Uma irresponsabilidade”, opinou Bolsonaro, durante transmissão nas redes sociais.

“O que o Supremo decidiu hoje? Medidas restritivas para quem não tomar vacina de forma voluntária. Então o que eles decidiram? Se você não tomar vacina, eu, presidente da República, governadores, prefeitos podem impor medidas restritivas a você. O que são medidas restritivas? Não pode tirar passaporte, não pode tirar carteira de habilitação. Pode botar em prisão domiciliar, olha que lindo. Prisão domiciliar. O cara pode falar quero tomar, mas não tem. Pode ser uma medida inócua do Supremo. Com todo respeito ao STF, entrou numa bola dividida, não precisava disso”, criticou o presidente.

"Nem vacina tem"

Bolsonaro fez questão de afirmar que, da parte dele, nenhuma retaliação será aplicada a quem se opuser à vacinação. “Não tem medida impositiva no ano que vem. Zero. Não tem vacina para todo mundo. Não queiram me obrigar a tomar uma posição que vá na contramão daquilo que eu sou. Então, com todo respeito ao Supremo, tomou uma medida antecipada. Nem vacina tem. Não vai ter para todo mundo”, alertou.

O presidente, contudo, disse que não pode falar pelos demais governantes nem garantir que governadores e prefeitos adotarão a mesma postura que ele. “Todos os governadores vão impor medidas restritivas? Não acredito. Não quero pôr a mão no fogo por ninguém. Acho difícil. Não acredito.”

Bolsonaro fez um apelo para o Congresso Nacional e disse esperar que os parlamentares interfiram na questão. “Espero que o parlamento se posicione do que está acontecendo. Não tem nenhum poder mais importante do que outro. Os três são independentes e harmônicos, mas quem tem mais legitimidade para impor ou não sanções, para tomar decisões, é o Legislativo, que tem participação popular. Nem sou eu.”

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