SAÚDE

Governo prevê receber 93 milhões de doses da vacina contra covid-19 até março

Previsão é do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, contabilizando três imunizantes. Instituto Butantan anuncia que vai pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária o uso emergencial da CoronaVac e cogita antecipar a vacinação em São Paulo

Sarah Teófilo
postado em 18/12/2020 06:00 / atualizado em 18/12/2020 06:22
 (crédito: Leopoldo Silva/Agencia Senado)
(crédito: Leopoldo Silva/Agencia Senado)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse, ontem, que prevê receber 24,5 milhões de doses de vacina contra a covid-19 em janeiro; 37,7 milhões, em fevereiro; e 31 milhões, em março. A expectativa dele, anunciada em audiência no Senado, contabiliza imunizantes de Pfizer (em menor quantidade); Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac; e AstraZeneca e Oxford, parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

De acordo com Pazuello, será possível saber a data exata com o acompanhamento do processo e que tudo depende do registro na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). “E o processo de registro é o que nos garante a segurança e a eficácia”, pontuou. As informações foram repassadas pelo ministro em sessão de debates temáticos no Senado.

“Nós temos tratado, da AstraZeneca, com 100 milhões de doses no primeiro semestre, e a produção de 20 milhões de doses por mês a partir de julho, já com a nossa tecnologia, o que dá 220 milhões de doses só com a AstraZeneca. Nós temos, com o Butantan, o primeiro lote de 46 milhões de doses. Repito, convênio assinado há mais de 60, 70 dias”, afirmou. Na quarta-feira, durante apresentação do plano nacional de vacinação, o ministro previu o mês de fevereiro para início da imunização, depois de ter falado, em outras ocasiões, em janeiro e em março.

Ao Senado, Pazuello se disse favorável ao uso emergencial de vacina contra a covid-19, citando o imunizante da Pfizer, que está sendo usado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Ele relatou que foi à Anvisa para solicitar o uso emergencial, mas esbarrou em exigências. “Peguei o telefone e falei com o CEO da Pfizer, no domingo. Pedi para ele estar na Anvisa na segunda-feira, para solicitar o uso emergencial, e lá ele foi. E a resposta foi: ‘Eu pensei que era mais simples, mas a agência é bastante detalhista’. Eu falei: ‘Pois é, tem que se cumprir os detalhes regulamentares’”, relatou.

O ministro criticou as exigências da empresa para assinar o contrato. Na primeira reunião com a pasta, segundo ele, as colocações do representante da Pfizer foram duras. Pazuello pontuou que a farmacêutica pede isenção de qualquer responsabilidade de efeitos colaterais, além de solicitar que não seja julgada nos nossos tribunais. Além disso, conforme o ministro, a Pfizer “não vai entregar o diluente, que teria que ser fabricado no Brasil”, disse. Tudo isso, segundo ele, foi aceito. Em nota, a Pfizer afirmou: “Não podemos comentar as negociações em curso com o governo brasileiro, mas afirmamos que as cláusulas que estão sendo negociadas estão em linha com os acordos que fechamos em outros países — inclusive na América Latina”.

Uso emergencial

Também ontem, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que pedirá autorização de uso emergencial da CoronaVac. Após o pedido, ele estima que, com o prazo de 10 dias para análise da Anvisa, seja possível iniciar a vacinação em São Paulo a partir de 15 de janeiro — antecipando cronograma, previsto inicialmente para o dia 25.

“Declaramos que iríamos fazer o pedido de registro. Vamos fazer o pedido de registro na China e no Brasil. E vamos, também, dar entrada no pedido de uso emergencial aqui no Brasil. Se fizermos isso na semana que vem, como está programado, no dia 23, isso significa que, na primeira semana de janeiro, poderemos ter uma manifestação da Anvisa”, explicou. “Ou seja, a partir de janeiro, é possível que tenhamos autorização para o uso da vacina. A partir do dia 15, portanto, teremos, nesse cronograma, nove milhões de doses para serem usadas nos brasileiros.” Segundo ele, em fevereiro, serão mais 22 milhões de doses, e, em março, outros 15 milhões.

Covas ainda falou sobre a incorporação da vacina no Plano Nacional de Imunização, apresentado na quarta-feira, por Pazuello. No documento, consta a CoronaVac. “Nesse momento, a vacina não pode ficar na prateleira, tem que ir para o braço dos brasileiros. E esperamos que o PNI, além da vontade manifesta de incorporar a vacina Butantan, de fato faça a formalização, assine os documentos que permitam que o Butantan entregue essas vacinas ao ministério”, afirmou.

Ao Senado, ontem, Pazuello indicou que a pasta está “partindo para um contrato” com o Butantan para a compra das doses, já que, até o momento, somente memorandos de entendimentos foram assinados.

Em coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), informou que Pazuello prometeu fazer o encaminhamento do contrato, que propõe a aquisição de 45 milhões de doses da CoronaVac, em caráter permanente, ainda hoje. (Colaborou Maria Eduarda Cardim)

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Quantidade

De acordo com Pazuello, em janeiro, serão: 500 mil doses, da Pfizer; nove milhões, da Butantan/Sinovac; e 15 milhões, da AstraZeneca/Oxford.

Pressão pelo estado de calamidade

Aumenta a pressão para que o governo e o Congresso prorroguem o estado de calamidade pública, instituído no início da pandemia e em vigência até o dia 31. O pedido é defendido por parlamentares e foi reforçado pelos governadores do Nordeste ontem. A prorrogação, no entanto, ainda não está nos planos do Executivo.

O consórcio de governadores do Nordeste pediu a prorrogação por seis meses, por meio de ofício enviado ao presidente Jair Bolsonaro; e dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O documento é assinado pelo presidente do Consórcio Nordeste, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT-PI), e afirma que o estado de calamidade pública deve ser estendido porque os motivos que levaram a sua decretação continuam. “Neste momento em que vivemos com aumento do número de casos, elevação da taxa de transmissibilidade em várias regiões do país, elevada utilização de leitos clínicos e de terapia intensiva e crescimento diário do número de óbitos, e tendo ainda, que reconhecer que somente ao final do primeiro semestre de 2021 é que teremos a imunização da população brasileira em torno de 70%, precisamos reconhecer que o Estado de Calamidade continua”, defende o ofício, ao qual o Correio teve acesso.

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